Partindo desta para a melhor

Janeiro 24th, 2007 by Ismael Benigno

Durante os próximos dias, este blog será atualizado normalmente, mas já em ritmo de despedida. O Malfazejo já está de casa e cara novas, em outro endereço, o

http://omalfazejo2.wordpress.com/

Lá os leitores terão mais facilidade de acesso, de deixar comentários e de navegação. Já está no ar, recebendo os mesmos posts deste endereço. Até que tooooodos os usuários se acostumem com a brusca mudança, será assim. Depois disso – e não sei quanto tempo isso vai levar – só estará disponível o novo endereço.

Os motivos? Cansei de ter que deletar, diariamente, mensagens de spam nos comentários, especialmente de um tal de Viagra, veja só. Depois porque o acesso por vezes era difícil, lento. E depois porque os endereços "my1blog" estão meio abandonados, sem novidades, sem suporte. O provedor atual, o Wordpress, oferece mais recursos e mais opções, ao mantenedor do blog e aos visitantes. Vá lá,confira.

De resto, resta pedir desculpas pelo transtorno. E pedir que, assim que puderem e quiserem, atualizem o endereço do Malfazejo (agora Malfazejo 2.0) nas suas listas.

Muito obrigado.

 Ismael

O Anti-herói publicitário

Janeiro 23rd, 2007 by Ismael Benigno
Não que o mundo Matrix seja exclusividade do Amazonas, mas convém analisar, ou tentar analisar, os últimos perrengues ocorridos na cena politiqueira manauense. Sim, este mundo Matrix, onde o que vemos parece coisa de programadores de computador, às vezes ameaça ruir, como se tomássemos, mais num descuido das máquinas do que por vontade própria, a pílula que nos abre os olhos para a verdade.

No filme dos irmãos Wachowski as máquinas dominavam o mundo e iludiam os humanos remanescentes com um cenário lúdico e pacífico, de ordem e cotidiano, enquanto nos subterrâneos do planeta, por trás da bela interface, um mundo em cinzas era dominado por andróides que usavam humanos como combustível para sua subsistência.

Durango Duarte, publicitário e empresário, tomou de Laurence Fishburne o papel de Morpheus e ameaçou, menos dado a rompantes revolucionários do que o personagem do filme, contar tudo o que sabe, botando abaixo a cidade de Manaus e destruindo a bela paisagem criada pelos computadores patrocinados pelos poderosos. Mas nosso Morpheus ficou na ameaça velada, assim meio como se tivesse deixado escapar que tinha a chave para o fim do império da mentira. E se calou.

Tudo bem, não vivemos no cinema. Nossos Morpheus e Neos não têm a missão de salvar o mundo. Querem apenas segurar seu osso, manter sua renda, preservar sua propriedade particular. Ao menor sinal de sacanagem das máquinas (e só assim) nossos heróis se armam e ameaçam pôr tudo abaixo.

Tudo bem, não vivemos no cinema.

As máquinas, comandadas pelo prefeito neste episódio da trilogia, ameaçaram destruir a ordem vigente, derrubar o paraíso baré, de moralidade e de civilidade. Poderiam tê-lo feito, não fossem os brios de nosso Morpheus publicitário.
 
Por ora, nos resta imaginar um mundo cinzento, uma terra arrasada, cheia de dor e de destruição. Por ora, nos resta agradecer pela manutenção do paraíso.

A máquina cedeu às ameaças heróicas de Morpheus.

Tomar a pílula da mentira é mais confortável.

Que bom que não vivemos no cinema.

 
O Estado do Amazonas, 24 de janeiro de 2007 

Notas de segunda-feira

Janeiro 22nd, 2007 by Ismael Benigno

A julgar pelas tramas de seqüestro e morte que fazem parte da vida do Ministério Público da novela Páginas da Vida, não se pode negar que o estilo de Manoel Carlos seja realista ao extremo. Resta agora saber se Maneco influenciou Vicente Cruz ou se inspirou nas peripécias dos promotores amazonenses para seu realismo fantástico.

Mas vale como sugestão para um daqueles depoimentos de fim de capítulo: Vicente contando o drama de ser acusado de um crime, do preconceito da sociedade contra mandantes de assassinato e explicando o linguajar técnico de um magistrado, que desiste de encher a laje de uma igreja falando "aborta, aborta!".

Tudo bem que uma cervejaria holandesa tivesse a brilhante idéia de criar uma cerveja para cachorros. Mas precisava fazer uma foto em que um bicho que não se parece com cachorro já está "cachorro", deitado e sendo abastecido por terceiros?

Diálogo entre Pedro Bial e Fani, cidadã comum e anônima que agora tenta a vida no Big Brother: Bial: "Você é de Nova Iguaçu mesmo? Nasceu lá?". Fani: "É, sou de lá mesmo, mas nasci num hospital da Tijuca".

Justificativa de um deputado da base aliada de Zeca do PT, agora ex-governador de Goiás, para a pensão vitalícia de 22 mil que foi aprovada para ex-governadores de estado: "acho justo que se dê esse apoio aos governadores, evitando assim que eles procurem ganhar dinheiro de forma ilícita". E ainda há quem duvide da honestidade e da sinceridade de deputado no Brasil.

Belarmino Lins fraudando a folha de pagamento da Assembléia e tirando do ar o site do poder, o que possibilitaria a checagem dos fantasmas que ele contratou irregularmente não é novidade. Novidade seria que finalmente alguém se dispusesse a chamar de crimes os crimes que essa laia chama de dia-a-dia.

Reclama alguém muito próximo de Belão: "Belarmino salvou o Nelson Azêdo naquele caso da Prodent. Salvou, porque era cassação certa! E agora o cara vem e faz uma coisa dessas?! O que é a ingratidão das pessoas!".

Betsy Bell é bonita, simpática e cheia de amigos. Além disso, "é de bom tom" (em Manaus se chama assim) que pessoas que vivem do "meio jornalístico" (em Manaus se chama assim) não critiquem abertamente "colegas de profissão" (em Manaus se chama assim). Mas besteirol tem limite, pelamordedeus. Não que eu não goste de besteira, mas tudo em excesso é nocivo ao fígado.

A justiça americana obrigou o casal Estevam e Sônia Hernandes, cabeças da organização criminosa "Renascer em Cristo", a usar um chip nos pés que indica sua localização às autoridades. O casal também está proibido de frequentar bares e centros comerciais, como templos religiosos. Sônia está sedada desde que soube que não pode ir a shopping-centers. Estevam continua fazendo cara de bunda.

Durango Duarte disse a Ronaldo Tiradentes que se passasse meia hora falando das coisas que sabe, a cidade viria abaixo. Independente dos motivos que teriam levado o prefeito Serafim Corrêa a voltar atrás no decreto de desapropriação do prédio do publicitário, importante mesmo seria Durango morder em vez de ladrar. Até porque saber de irregularidades e falcatruas na administração pública e não denunciar não isenta ninguém de responsabilidade com a população.

Mário Frota assumiu mais uma vez a Prefeitura de Manaus. Agendou reuniões que não devia, falou do que não sabia e jogou mais uma vez contra o patrimônio. Com um vice desses, quem precisa de Sabino Castelo Branco? Toda vez que Mário assume a Prefeitura entra em polvorosa. É mais ou menos como se um bebê de dois anos entrasse numa loja de objetos de cristal. 

A urna eletrônica é um orgulho nacional. Assim, mais ou menos como se tivéssemos orgulho do vaso sanitário que o povo brasileiro tem em casa. Pois não é mais. Há fortíssimos indícios de fraude em Alagoas. E se há fraude num lugar, o empreendedorismo criminoso brasileiro já espalhou a novidade pelo país. Brasil, um país de todos.

Novo Evangelho – A Bíblia do Caos

Janeiro 19th, 2007 by Ismael Benigno
A Glória!

O puder tem orgulho de sua impunidade
(só perdemos pra Nigéria).
 

Millôr Fernandes é o avô (desculpa, velhinho) que eu queria ter tido, pra me contar, lá na varanda de casa, coisas assim:

"Toda hora eu vejo, em jornais, revistas, televisão, e na rua, pessoas cada vez mais "livres" de preconceitos e… E, no entanto, todas estão convencidas de que a Terra gira em torno do Sol. Por quê? Pergunte a elas e elas responderão: "Ué, Galileu provou isso, há muito tempo" Provou pra quem, meu bem?, repergunto eu."Pode ser que tenha provado pros cientistas. O homem comum, e mesmo nós, pejorativamente chamados intelectuais, aceitamos, e pronto. Sem pensar. Preconceituosamente. Como antes de Galileu acreditávamos que o sol girava em torno da terra. Mas entre Galileu, de cujas "provas" nunca tomamos conhecimento nem sabemos dizer quais, e a realidade, que, literalmente, salta (gira) a nossos olhos, temos que acreditar é em nossos olhos. Nossos olhos vêem, com absoluta certeza, que o sol nasce ali (a leste) e morre do outro lado (a oeste), girando em torno de uma terra absolutamente parada (terremotos à parte), sobre a qual caminhamos sem sentir o menor movimento. Pra mim o sol gira em torno da terra. E estamos conversados."

Hoje, já habituado pelos anos de convívio com questiúnculas universalmente importantes, me contento com tiradas assim:

Prudência: E devemos sempre deixar bem claro que nenhum de nós, brasileiros, é contra o roubo. Somos apenas contra ser roubados.

Mas confesso, agora pai, eu me assustaria com a prolixia e a sutileza de uma frase como:

- Filhos criados, tudo drogado.

Façamos melhor! clique aqui e divirta-se.

Teu casamento é uma farsa, mana!

Janeiro 19th, 2007 by Ismael Benigno

Ronaldo Ésper, estilista paulistano chiquérrimo que desenha vestidos de noiva chiquérrimos para socialites chiquérrimas, foi preso em flagrante roubando vasos de plantas de um cemitério. Na delegacia, Ronaldo, ainda vestido com a combinação chiquérrima de jeans, tênis e paletó que usava enquanto praticava o crime. confessou o crime. Mas justificou, dizendo que sofre de depressão (a mesma doença do Lalau) e que toma um remédio importado chiquérrimo que lhe causa transtornos. Uma funcionária do cemitério disse que Ronaldo também afirmara que pegava os vasos por amor à arte.

A loja mais cara e mais chiquérrima do país está à venda, pois no Brasil não há mercado de luxo que resista a uma fiscalizaçãozinha da polícia. Dentro da lei, como se sabe, é inviável investir neste país. A atenção da Polícia Federal parece fazer mal a essa gente, como se o olhar da lei queimasse a pele, esterilizasse o solo, apodrecesse a carne, murchasse as plantas.

Do jeito que anda o mercado de luxo paulistano, não será surpresa se a polícia descobrir, qualquer dia desses, que a vitela das vacas dinamarquesas servida no Fasano é, na verdade, lombo de bode amaciado com martelo de pau. Não se espante se descobrirmos brevemente que Agnaldo Rayol, que emociona noivas e mães de noivas de São Paulo há 138 anos com sua Ave Maria, na verdade canta em play-back, como fazia a premiada dupla Milly-Vanilly. Pois se o costureiro do vestido da noiva é ladrão de vaso de planta de cemitério e o terno Armani do noivo, comprado na Daslu, era contrabando, por que duvidar da procedência das cordas vocais do cantor da cerimônia?

Ao final e ao cabo do dia, é impressão que fica é a de que tudo o que reluz no Brasil é latão; que, por trás daquele terno bem cortado e daquele vinho de 3.000 reais que se vê nos restaurantes do Morumbi há apenas um Delúbio ou um Severino, com seus dentes tortos e seus habeas corpus preventivos, a gastar o que foi roubado do povo.

Quase sem exceções, em terra de mendigo quem tem luxo é bandido.

Vai um link aí?

Janeiro 18th, 2007 by Ismael Benigno

Uma dessas memórias amigas dos anos 80 que sempre faz surgir um sorriso neste meu rosto pálido de fantasma é a de um muro na Av. Tarumã esquina com a Major Gabriel, neste lugar havia na época uma dessas lojas de veículos que são bem comuns na praça 14, hoje há nesta esquina um banco Itaú a novinho em folha. Bem, alma dessa minha memória amiga que me faz rir quando a encontro concentra-se na seguinte frase pichada naquele local: "Pau no cu do Botineli".

Acabei de ler isso no blog Caos Manaus , de um fantasma que vaga por Manaus.

É apenas um trecho. Recomendo o restante.

Recomendo o blog todo, que é novo, mas vai chegar à velhice, ô se vai…

O blog, claro, já está há dias na minha lista de leitura recomendada. 

Maçaneta do carro de Sabino acerta Silas Câmara

Janeiro 18th, 2007 by Ismael Benigno

É justificável que a imprensa amazonense chame de nebulosa a operação que transferiu Sabino Castelo Branco do PFL de Amazonino Mendes para o PTB de Roberto Jéferson. E, como se já não bastasse o absurdo de assistir um político brasileiro trocar de partido, a população ainda precisou ver Sabino tomar de Silas Câmara a presidência do partido no Amazonas.

É perfeitamente aceitável que todo cidadão amazonense fique de queixo caído com transações e acertos políticos obscuros. Reelegemos um governador que distribui adesivos com “Eu amo Eduardo!” e é ladeado por patifes de toda espécie. Temos uma assembléia presidida por um nepotista já flagrado pela Polícia Federal acertando favores imorais com o vice-governador. Este mesmo deputado disputa o cargo com outro deputado, este gravado cometendo crime eleitoral e confessando desvio de dinheiro público. Elegemos um senador da República que, dizem as provas, cometeu crime eleitoral, depois de levar incompetência e falta de transparência da Prefeitura de Manaus para o Ministério dos Transportes.

Com um quadro político destes, é perfeitamente plausível que Sabino Castelo Branco tome de assalto – no sentido figurado, leia-se – o partido do Homem-Bomba Roberto Jefferson, receptor confesso de dinheiro ilegal para campanhas políticas. Como é também natural que Vera Lúcia Castelo Branco, recém-saída do pesadelo StephenKinguiano de tomar socos e gravatas de um carro e recém-eleita deputada estadual assuma a diretoria do partido de Getúlio Vargas.

Analistas políticos se apressam em tentar matar a charada e entender o movimento estratégico das peças políticas, como se de política tratasse tal tipo de negociata. Roberto Jefferson, que já admitiu viver nos “intestinos do poder” há décadas, diz que precisa de um homem forte no partido local. Vera Lúcia se apressou em responder: se o problema é homem forte, Sabino é o cara.

Roberto Jefferson tem razão. Com ele, Silas, Sabino e Vera Lúcia, esse partido só pode mesmo ser coisa que sai dos intestinos.

O Estado do Amazonas, 19 de janeiro de 2007

Notas e links

Janeiro 17th, 2007 by Ismael Benigno

Fernanda Vasconcelos, que interpreta a Nanda da novela Páginas da Vida, está a apenas 20 décimos de segundo do tão sonhado índice para participar dos Jogos Panamericanos do Rio 2007. Especialistas e atletas experientes calculam que Nanda chega lá com mais duas ou três carreiras daquelas que tem dado em frente à câmera.

Já Regina Duarte, a principal expectadora dos piques de Nanda, se limita a fazer cara de "eu tenho medo". Nanda é bem mais bela do que Lula, mas não adianta. Helena tem medo.

Fran Pacheco conclui, após cinco dias de cobertura non-stop da cratera de São Paulo: "Num país em que até o metrô anda desabando, o buraco só pode ser mesmo mais embaixo".

Levante as mãos aos céus, cidadão amazonense. Se metrô subterrâneo desaba em São Paulo, imagine o que poderia acontecer em Manaus com o metrô de superfície de Alfredo Nascimento!

Uma moça teve seu cabelo roubado num ônibus no Rio de Janeiro. Três homens lhe levaram documentos, dinheiro e todo o longo e liso cabelo que ela tinha. Não acredita? Então clica. A TV Globo já estuda uma forma de abordar o assunto num dos próximos jantares da casa de Tide, personagem de Tarcísio Meira em Páginas da Vida. É a vida real, pintada em cores manoecarlianas.

Na Inglaterra é o Celebrity Big Brother que faz barulho, pois acusações de racismo contra uma das participantes estariam chegando à polícia. É que alguns expectadores ouviram alguém chamando Shilpa Shetty, uma linda indiana, de cachorra. No Big Brother Brasil, um loiro chama uma loira de "Porrrta" o tempo todo. Sorte dele que nem ela nem seus representantes na sociedade entenderam ainda o adjetivo carinhoso.

Pedro Doria, do excelente weblog dOMínimo, descobre o que eu já sabia há mais de 2 anos: Barack Hussein Obama. A depender dos americanos, possivelmente o próximo presidente. Tem Hussein e Ob(s)ama no nome, é verdade, mas eu já assisti um de seus discursos e tive vontade de ser americano só pra votar nele. Visite o Pedro Doria e confira um trecho do discurso de indicação de Kerry.

Pra quem gosta de animação e boas idéias, vale a pena. Bruno Bozzetto mostra as diferenças e semelhanças entre a União Européia e a Itália. E as semelhanças entre a Itália e o Brasil.

A Terra Magazine revela que uma estatal paulista comandada por um tucano doou 500 mil ao instituto iFHC. O ex-presidente já teria arrecadado, junto a amigos de vinho francês, mais de R$ 3 milhões.

Nem bem o consórcio de empreiteiras responsável pelas obras do viaduto de SP concretaram as paredes do buraco mais falado do momento (Cicarelli é passado) para evitar acidentes, já há publicidade nas dependências da cratera. Meninas da Red Bull distribuíam a bebida a funcionários das equipes de resgate. Com a recente proibição da publicidade externa na cidade, os publicitários andam procurando qualquer buraco pra faturar um. Literalmente.

Rafael Corrêa, que venceu as eleições apoiado por Chavez, tomou posse no Equador falando em revolução rápida e justiça social, finalmente. Ou seja, lá vem merda. Mas o mais emocionante da cerimônia foi ver Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, prestigiando a festa. A América Latina desce, assim, mais alguns degraus, rumo ao rêgo do mundo.

Eu estava trocando de canal!

Janeiro 14th, 2007 by Ismael Benigno

É sempre assim. Toda vez que a Globo anuncia um novo Big Brother (ainda há isso lá pra fora?), milhares de otários se mexem pra gravar uma fita e mandar para a emissora. Mas nenhum é selecionado. No fim, as portas daquela casa parecem a porta da boate da moda, um Studio 54, onde critério pra entrar é beleza. Fila é pra feio ou pobre. No fim, mais ou menos como se faz em algumas casas noturnas badaladas de São Paulo, Boninho pega um book e faz uma regra de três invertida entre gostosura e preço. Aí entram modelos que já posaram para a Sexy, ex-dançarinas do Gugu e amigos de filho de diretor da empresa.

Aí vem a pergunta: o que há de errado nisso? Se o milhão é privado, se o critério é da casa, azar dos burraldos que ainda acreditam em sorte, em carisma próprio.

Numa emissora em que garota do tempo vira âncora do Jornal Hoje ou correspondente em Nova Iorque porque casa com o diretor, o que esperar de diferente numa disputa como o Big Brother? Estão aí William Bonner e Fátima Bernardes, Fabiana Scaranzi e William Waack, Sandra Anemberg e Ernesto Paglia, Patrícia Poeta e o diretor da Globo em Nova Iorque (cujo nome não sei), além de um sem número de atrizes que protagonizam novela das oito assim que casam com o diretor, cantoras que têm música incluída na trilha sonora porque namoram com executivo da emissora etc.

É sempre assim. Muita gente assistindo e muita gente reclamando da futilidade da coisa. Não que seja uma experiência sociológica de grande peso ficar assistindo uma turma de marombados e dançarinas de trance tomando um porre, mas no final das contas aquilo é a miniatura do mundo externo mesmo, um microcosmo do que vemos no dia-a-dia. Não, claro, no quesito beleza física, até porque menos de 1% das mulheres brasileiras têm atributos pra simular sexo oral com uma garrafona de leite derramante nas páginas da Sexy. Mas convenhamos, aquela conversa unânime de "afinidade" e "vou votar na pessoa que não virou minha amiga" é didática, a gente é que não percebe uma coisa importante dessas bem à nossa frente porque precisa ajudar o filho a fazer o dever de casa ou bobagem do gênero.

A ausência de barrigudinhos, gays, feiosos e pobretonas na  casa é coisa da audiência também. Sempre ecoando a preferência da clientela, a emissora parece ter percebido que justiça social mesmo não é botar um coitado no meio das feras siliconadas, mas enjular as feras siliconadas, somente elas e todas juntas, e assisti-las devorando-se entre si. A audiência brasileira não está preparada pra jogos ou gincanas que envolvam facetas e nuances humanas, estratégia e inteligência – no sentido sociológico da palavra. Não se houver um pobre, um analfabeto, um gay simpático, uma cabeleireira endividada. Brasileiro torceria para a Argentina numa final de Copa contra o Brasil se os argentinos fizessem um clipe dramático sobre sua infância pobre e o exibissem na tevê brasileira antes da partida.

Embeber em álcool belos jovens com hormônios demais e miolos de menos parece coisa de filme futurista da década de 80, onde víamos robôs ciborgues usando cérebros humanos pra fazer geléia pra ET – no distante ano de 2003.

De certo modo chegamos ao futuro. Numa versão abrasileirada do programa de domingo dos romanos, descobrimos que, em vez de assistir leões devorando cristãos e gladiadores trucidando-se entre si, preferimos nos divertir com o vazio absoluto, descartável mesmo, de uma dúzia de dancarinos de trance e ex-modelos da Sexy se devorando entre si.

E vamos combinar, é reality show mesmo. Amigo do filho do diretor, ex-dançarina de palco do Gugu e modelo da Sexy mostram bem como é que funcionam as coisas neste país. Ou vai me dizer que você acha bonito que haja peixada até em sorteio de Big Brother!

Só falta agora você dizer que acredita na Mega-Sena…

E naquele apartamento de classe média paulistano…

Janeiro 13th, 2007 by Ismael Benigno

- Meu bem, eu sei que havia prometido chegar mais cedo do trabalho, mas o diretor da empresa apareceu de surpresa, com uma comitiva de auxiliares, e ficou vistoriando o trabalho da galera o dia inteiro! Pressão total, marcação mesmo! A gente tentando trabalhar e neguinho vigiando pra ver se a gente tá fazendo certo! O Sérgio, meu chefe imediato, botou a gente pra foder o dia inteiro e vigiou de perto pra ver se a gente gozava mesmo. A Mariana, coitada, ainda ficou lá, parece que o tal diretor-picão queria fazer uma auditoria interna com ela, pessoalmente. Um inferno aquele motel que alugaram também! - justificou-se o ator pornô à esposa.

Pra resolver todos os problemas que não temos

Janeiro 12th, 2007 by Ismael Benigno

Steve Jobs deu uma tossida, e o mundo mais uma vez presta atenção.

iPhone, da Apple.

É iPod, é Telefone, é Câmera, acessa a web integralmente, tem bluetooth, tem wi-fi, é GSM e tem Edge.

Tem Tela de 3,5".

Tem 4 ou 8Gb de capacidade.

E já rende piadinhas: dizem que a Apple se inpirou em Daniela Cicarelli e vai lançar uma versão mais cara – beeeem mais cara – chamada iPhod.

O Pedro Doria avalia melhor o brinquedo aqui.

“TOW Ross e Chandler brigando pela piada”…

Janeiro 12th, 2007 by Ismael Benigno

Foi só eu lançar a história do Huguinho, do Evinho e do Luisinho que os cartunistas se apropriaram da idéia. Esta saiu no Noblat agora de manhã. Sem crédito nenhum. Aí abaixo eu digo "…já disse que vai roubar empresas alheias – o que esquerdistas gostam de chamar de 'nacionalização'. Mas, por enquanto, vamos parodiar. Sei lá, imaginar cartilhas superfaturadas do trio Huguinho, Evinho e Luisinho, a pregar a revolução dos pobres, dos analfabetos e dos sem-terra."

Mais uma prova de que este Malfazejo é um dos blogs mais lidos do Brasil. Pena que seus milhares de leitores sejam tão tímidos e caladinhos.

Obs: interessante também o número de comentários ao post do Noblat no momento da minha visita.

Um povo de fé inabalável

Janeiro 12th, 2007 by Ismael Benigno

Sexta-feira, 12 de janeiro de 2007, 13h.

Duda Mendonça tinha razão. Brasileiro não desiste nunca.

É ao contrário, Bardot!

Janeiro 11th, 2007 by Ismael Benigno

Tempos atrás eu falava do dilema de escolher um nome apropriado para nossa Dogo Argentino, um presentão que ganhamos da Christina, e dizia isso: "Ganhamos uma cadela dogo argentino da Christina. Está linda. Já tentamos vários nomes, Brigitte, Natasha, Waleska, Tiffany e outros tantos nomes femininos bem putinhos, mas a cada dia ganha mais força um nome que até agora corria por fora, por não ser, digamos, muito lisonjeiro. Acho que não vai dar outra, o nome dela vai ser simplesmente Fezes."

Então nossa mascote fez – e fez muitos quilos – jus à alcunha. Até que fosse nomeada Bardot, Brigitte Bardot.

Assim, como James Bond.

Mas depois Fezes-Bardot começou a operar prodígios e me obrigou a escrever isso: "Bardot, nossa cadela mais nova, vulgarmente conhecida como Fezes, precisa de novo nome. Depois de se soltar misteriosamente e destruir parte do jardim novinho da Mansão Benigna, chamar-se-ia Katrina. Agora, depois de desfazer novamente o engate de sua correia, se lambuzar inteira em terra preta e amanhecer alva feito camiseta de comercial de sabão em pó, precisa de nova alcunha. Já pensei em McGyver, Carrie, a Estranha e Mãe Diná. Mas o concurso 'Dê um nome para nosso ET' está lançado."

Mas as fases da vida passam, e Bardot ficou doente. Piodermatite, segundo a médica. Foi obrigada a usar este "colar elizabetano" durante 10 dias e tomar remédio. Anda, como se pode ver na imagem, feliz da vida com o adereço. Mas o histórico de destruição de Bardot não pode ser desprezado. Sabia que aquela imagem me lembrava de algo.

Era Nipper, o cachorrinho-mascote da gravadora RCA. A sobreposição das imagens facilita a tarefa de entender porque Nipper ficou com o posto de mascote da gravadora, e não Bardot. Afinal, que mensagem fofa poderia passar uma imagem de um cachorro que, em vez de se entreter com um gramofone, o engole?

São Paulo vai ficar mais alegre do que já é

Janeiro 11th, 2007 by Ismael Benigno

Temporil da Puta que Paral caindo em Manaus há uma semana.

Uma homenagem justíssima ao melhor amigo que nunca vi pessoalmente (além de incansável ocupante do honroso posto de único comentarista que tenho), um doce de pessoa chamado Osimar Medeiros. Quer sentir a doçura? Visite o Sangre de Grado. Vai por mim.

Chavez, o jegue expiatório

Janeiro 11th, 2007 by Ismael Benigno

Está muito esquisita essa história de demonizar Hugo Chavez por suas peripécias esquerdo-latino-primitivas, como se o povo venezuelano fosse um adereço da história e não protagonizasse os seguidos referendos, consultas e eleições que vêm elegendo o presidente repetidamente. Ainda que se entendam que, como no caso dos super-salários dos suplentes de deputados, as presepadas de Chavez sejam filé mignon para a imprensa, é esquisito ver, novamente, o tom de revolta irônica dos editoriais e colunas.

As eleições venezuelanas são monitoradas por observadores internacionais, salvo engano, liderados pelo ex-presidente americano Jimmy Carter. É verdade que Chavez andou anunciando que pretende, sim, apresentar projeto de reeleição permanente ao Congresso. É certo que já disse que vai roubar empresas alheias – o que esquerdistas gostam de chamar de “nacionalização”. Mas, por enquanto, vamos parodiar. Sei lá, imaginar cartilhas superfaturadas do trio Huguinho, Evinho e Luisinho, a pregar a revolução dos pobres, dos analfabetos e dos sem-terra.

Chavez é resultado, não origem. É efeito, não causa. Veio ao mundo para mostrar que, quando uma nação se deixa enganar por déspotas e populistas de esquerda (com o perdão do pleonasmo), só lhe resta conviver com o atraso institucional, a falta de crédito no mundo e miseráveis, famintos e felizes.

É injusto que Hugo Chavez seja responsabilizado pelo buraco em que se enfia seu país, mesmo que sob sua boina e sua espada cafona. Como é injusto julgar as ações de um deputado federal eleito, mesmo que seja um ex-traficante que espanca mulher no meio da rua. Seria ele mais culpado do que seus eleitores?

Analisemos por eliminação, como na matemática do primário: se há poderes constituídos, se existe uma Constituição, se são realizadas eleições, se a apuração é transparente e se não há ditadura, o problema só pode ser um: o povo.

Sem medo de errar.

Democracia é assim. Vence quem consegue o voto da estúpida maioria.

Pra meio entendedor duas palavras bastam.

Sai a justiça social, entra a ditadura da estética

Janeiro 10th, 2007 by Ismael Benigno

Chegou a hora dessa gente bronzeada, marombada e siliconada mostrar seu valor. Na estréia do “Big Brother Brasil 7″ ontem na Globo, a galera do “uhu!”, do “irado” e do “caraca” provou que está pronta para dominar o programa.

O “BBB 7″ começou com algumas novidades pontuais. Logo no início o candidato Fernando Orozco foi eliminado por ser amigo de um diretor da Globo (que tentou demonstrar, de forma um tanto tardia, uma idoneidade que vem sendo constantemente questionada). No final, Pedro Bial anunciou que dois candidatos – e não apenas um – serão eliminados na próxima semana.

Mas só houve uma mudança realmente fundamental no “BBB 7” em relação às três últimas edições: não há mais sorteio de participantes. Na prática, isso significa que os candidatos pobres, gordos ou feios foram eliminados a priori, em um processo de eugenia televisiva.

Boninho, diretor do programa, explicou a decisão em entrevistas: o objetivo do “Big Brother” é entreter, não fazer justiça social (e, assim, com uma medida provisória, o Brasil perde uma de suas modalides de inclusão social a conta-gotas).

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The number of the beast

Janeiro 9th, 2007 by Ismael Benigno

Pra não dizerem que estou há três dias sem falar dele, ressuscito uma foto que fiz ainda no calor da última campanha eleitoral. Não a usei à época porque o foco estava ruim. A imagem, bem, vale mil palavras de baixo calão. Mas não chego ao ponto de chamar Belão de Diabo. Não, seria demais. Primeiro que o Diabo tem mais estilo. Depois não é negócio ser o cabeça das coisas. Belão não é, mas com certeza tem um filho, um sobrinho ou um irmão que trabalha pro Homem. Com certeza.

Violação de Privacidade ou Atentado ao Pudor?

Janeiro 9th, 2007 by Ismael Benigno

Ricardo Noblat informa, via G1, que o desembargador que havia tirado o YouTube do ar voltou atrás. Agora liberou novamente, mas ordenando que se proíba a disponibilização do vídeo pornô light de Daniela Cicarelli, no qual dizem (não assisti) que seu namorado, o desempregado Tato Malzoni, lhe aplicava um tubo daqueles. À massa de 6 milhões de desentubados que ficou sem acesso aos vídeos do site, resta saber que, se o casal flagrado na Espanha fosse o da imagem de baixo, visivelmente desprovido de heranças paternas ou pensões de ex-marido milionário, o cacete – upa! – tinha baixado no cocuruto dos dois. Não que fazer um sexozinho dentro da caixa d'água, num sabadão de sol, não tenha seu valor, mas há ninhos de amor melhores, admita-se.

Noblat comenta, cheio de razão, que se houve realmente violação, não foi de privacidade. Tutty Vasques comenta que, com a interdição (censura, vai) do site, milhões de brasileiros ficaram sem ter o que fazer no trabalho. Eu comento que, comparado à cobertura cansativa da eleição para Presidente da Gangue, digo, Câmara Federal, feito há dias por Noblat e sua equipe, o assunto Cicarelli até que entra – ôpa – melhor. Até porque com essa gama de opções (eleição na Câmara e Daniela fazendo sexo em público) é sempre bom ficar com a opção em que a gente curte um sexozinho apaixonado, sem precisar fazer parte da cena.

No caso do embate Aldo x Chinaglia pela presidência do Parlamento, é o que aconteceria com a gente. E o que é pior, na passiva. Pense bem.

Cena de enlatado americano

Janeiro 9th, 2007 by Ismael Benigno

Estevam e Sônia Fernandes, fundadores da organização criminosa Igreja Apostólica Renascer em Cristo, foram presos. Segura o rojão, leitor, não se apresse a comemorar progressos na justiça brasileira. O casal de patifes foi preso pelo FBI em Miami.

É que lá, nos States, roubar é crime e dá cadeia. E a cadeia de lá, convém esclarecer para que não haja mal-entendidos, consiste num cômodo de dimensões modestas, geralmente ladeado por outros cômodos idênticos e arrumados numa edificação que convencionou-se chamar de presídio, todos cercados por paredes de concreto e barras de ferro, que são comumente trancadas com ferrolhos e cadeados, o que impossibilita a saída expontânea de seus hóspedes.

A dupla dinâmica, que vinha transitando toda serelepe pelo Bananão apesar das acusações de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato, tentou entrar num país de verdade com 56 mil dólares, depois de declarar apenas 10 mil à alfândega.

A organização criminosa, nascida em 1986 da combinação da miséria intelectual, espiritual e material da maioria da população do maior país católico do mundo, tem 1.500 bocas espalhadas pelo país, onde são afanados milhões de reais que, agora resta comprovado, eram usados para pagar as contas da dupla.

Não é a bandidagem dos países que é diferente. Bandido é bandido em todo lugar – e eles estão em todo lugar. A diferença não está no bandido, está na Justiça.