Cena de enlatado americano

Estevam e Sônia Fernandes, fundadores da organização criminosa Igreja Apostólica Renascer em Cristo, foram presos. Segura o rojão, leitor, não se apresse a comemorar progressos na justiça brasileira. O casal de patifes foi preso pelo FBI em Miami.

É que lá, nos States, roubar é crime e dá cadeia. E a cadeia de lá, convém esclarecer para que não haja mal-entendidos, consiste num cômodo de dimensões modestas, geralmente ladeado por outros cômodos idênticos e arrumados numa edificação que convencionou-se chamar de presídio, todos cercados por paredes de concreto e barras de ferro, que são comumente trancadas com ferrolhos e cadeados, o que impossibilita a saída expontânea de seus hóspedes.

A dupla dinâmica, que vinha transitando toda serelepe pelo Bananão apesar das acusações de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato, tentou entrar num país de verdade com 56 mil dólares, depois de declarar apenas 10 mil à alfândega.

A organização criminosa, nascida em 1986 da combinação da miséria intelectual, espiritual e material da maioria da população do maior país católico do mundo, tem 1.500 bocas espalhadas pelo país, onde são afanados milhões de reais que, agora resta comprovado, eram usados para pagar as contas da dupla.

Não é a bandidagem dos países que é diferente. Bandido é bandido em todo lugar – e eles estão em todo lugar. A diferença não está no bandido, está na Justiça.

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