O Anti-herói publicitário
No filme dos irmãos Wachowski as máquinas dominavam o mundo e iludiam os humanos remanescentes com um cenário lúdico e pacífico, de ordem e cotidiano, enquanto nos subterrâneos do planeta, por trás da bela interface, um mundo em cinzas era dominado por andróides que usavam humanos como combustível para sua subsistência.
Durango Duarte, publicitário e empresário, tomou de Laurence Fishburne o papel de Morpheus e ameaçou, menos dado a rompantes revolucionários do que o personagem do filme, contar tudo o que sabe, botando abaixo a cidade de Manaus e destruindo a bela paisagem criada pelos computadores patrocinados pelos poderosos. Mas nosso Morpheus ficou na ameaça velada, assim meio como se tivesse deixado escapar que tinha a chave para o fim do império da mentira. E se calou.
Tudo bem, não vivemos no cinema. Nossos Morpheus e Neos não têm a missão de salvar o mundo. Querem apenas segurar seu osso, manter sua renda, preservar sua propriedade particular. Ao menor sinal de sacanagem das máquinas (e só assim) nossos heróis se armam e ameaçam pôr tudo abaixo.
Tudo bem, não vivemos no cinema.
As máquinas, comandadas pelo prefeito neste episódio da trilogia, ameaçaram destruir a ordem vigente, derrubar o paraíso baré, de moralidade e de civilidade. Poderiam tê-lo feito, não fossem os brios de nosso Morpheus publicitário.
Por ora, nos resta imaginar um mundo cinzento, uma terra arrasada, cheia de dor e de destruição. Por ora, nos resta agradecer pela manutenção do paraíso.
A máquina cedeu às ameaças heróicas de Morpheus.
Tomar a pílula da mentira é mais confortável.
Que bom que não vivemos no cinema.
Janeiro 24th, 2007 at 05:23
“Oh, quão terrível é o conhecimento quando não traz nenhum proveito para o sábio…” (Sófocles – Édipo Rei). Toda vez que um insider ameaça falar, a mensagem cifrada é a seguinte: "Aceito desesperadamente um cala-boca. Valor a negociar."
Janeiro 24th, 2007 at 09:57
A solução é eleger o Jeremias cabra omi pra presidência. Bandido por bandido, prefiro os sinceros.