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O Anti-herói publicitário

Terça-feira, Janeiro 23rd, 2007
Não que o mundo Matrix seja exclusividade do Amazonas, mas convém analisar, ou tentar analisar, os últimos perrengues ocorridos na cena politiqueira manauense. Sim, este mundo Matrix, onde o que vemos parece coisa de programadores de computador, às vezes ameaça ruir, como se tomássemos, mais num descuido das máquinas do que por vontade própria, a pílula que nos abre os olhos para a verdade.

No filme dos irmãos Wachowski as máquinas dominavam o mundo e iludiam os humanos remanescentes com um cenário lúdico e pacífico, de ordem e cotidiano, enquanto nos subterrâneos do planeta, por trás da bela interface, um mundo em cinzas era dominado por andróides que usavam humanos como combustível para sua subsistência.

Durango Duarte, publicitário e empresário, tomou de Laurence Fishburne o papel de Morpheus e ameaçou, menos dado a rompantes revolucionários do que o personagem do filme, contar tudo o que sabe, botando abaixo a cidade de Manaus e destruindo a bela paisagem criada pelos computadores patrocinados pelos poderosos. Mas nosso Morpheus ficou na ameaça velada, assim meio como se tivesse deixado escapar que tinha a chave para o fim do império da mentira. E se calou.

Tudo bem, não vivemos no cinema. Nossos Morpheus e Neos não têm a missão de salvar o mundo. Querem apenas segurar seu osso, manter sua renda, preservar sua propriedade particular. Ao menor sinal de sacanagem das máquinas (e só assim) nossos heróis se armam e ameaçam pôr tudo abaixo.

Tudo bem, não vivemos no cinema.

As máquinas, comandadas pelo prefeito neste episódio da trilogia, ameaçaram destruir a ordem vigente, derrubar o paraíso baré, de moralidade e de civilidade. Poderiam tê-lo feito, não fossem os brios de nosso Morpheus publicitário.
 
Por ora, nos resta imaginar um mundo cinzento, uma terra arrasada, cheia de dor e de destruição. Por ora, nos resta agradecer pela manutenção do paraíso.

A máquina cedeu às ameaças heróicas de Morpheus.

Tomar a pílula da mentira é mais confortável.

Que bom que não vivemos no cinema.

 
O Estado do Amazonas, 24 de janeiro de 2007 

Teu casamento é uma farsa, mana!

Sexta-feira, Janeiro 19th, 2007

Ronaldo Ésper, estilista paulistano chiquérrimo que desenha vestidos de noiva chiquérrimos para socialites chiquérrimas, foi preso em flagrante roubando vasos de plantas de um cemitério. Na delegacia, Ronaldo, ainda vestido com a combinação chiquérrima de jeans, tênis e paletó que usava enquanto praticava o crime. confessou o crime. Mas justificou, dizendo que sofre de depressão (a mesma doença do Lalau) e que toma um remédio importado chiquérrimo que lhe causa transtornos. Uma funcionária do cemitério disse que Ronaldo também afirmara que pegava os vasos por amor à arte.

A loja mais cara e mais chiquérrima do país está à venda, pois no Brasil não há mercado de luxo que resista a uma fiscalizaçãozinha da polícia. Dentro da lei, como se sabe, é inviável investir neste país. A atenção da Polícia Federal parece fazer mal a essa gente, como se o olhar da lei queimasse a pele, esterilizasse o solo, apodrecesse a carne, murchasse as plantas.

Do jeito que anda o mercado de luxo paulistano, não será surpresa se a polícia descobrir, qualquer dia desses, que a vitela das vacas dinamarquesas servida no Fasano é, na verdade, lombo de bode amaciado com martelo de pau. Não se espante se descobrirmos brevemente que Agnaldo Rayol, que emociona noivas e mães de noivas de São Paulo há 138 anos com sua Ave Maria, na verdade canta em play-back, como fazia a premiada dupla Milly-Vanilly. Pois se o costureiro do vestido da noiva é ladrão de vaso de planta de cemitério e o terno Armani do noivo, comprado na Daslu, era contrabando, por que duvidar da procedência das cordas vocais do cantor da cerimônia?

Ao final e ao cabo do dia, é impressão que fica é a de que tudo o que reluz no Brasil é latão; que, por trás daquele terno bem cortado e daquele vinho de 3.000 reais que se vê nos restaurantes do Morumbi há apenas um Delúbio ou um Severino, com seus dentes tortos e seus habeas corpus preventivos, a gastar o que foi roubado do povo.

Quase sem exceções, em terra de mendigo quem tem luxo é bandido.

Eu estava trocando de canal!

Domingo, Janeiro 14th, 2007

É sempre assim. Toda vez que a Globo anuncia um novo Big Brother (ainda há isso lá pra fora?), milhares de otários se mexem pra gravar uma fita e mandar para a emissora. Mas nenhum é selecionado. No fim, as portas daquela casa parecem a porta da boate da moda, um Studio 54, onde critério pra entrar é beleza. Fila é pra feio ou pobre. No fim, mais ou menos como se faz em algumas casas noturnas badaladas de São Paulo, Boninho pega um book e faz uma regra de três invertida entre gostosura e preço. Aí entram modelos que já posaram para a Sexy, ex-dançarinas do Gugu e amigos de filho de diretor da empresa.

Aí vem a pergunta: o que há de errado nisso? Se o milhão é privado, se o critério é da casa, azar dos burraldos que ainda acreditam em sorte, em carisma próprio.

Numa emissora em que garota do tempo vira âncora do Jornal Hoje ou correspondente em Nova Iorque porque casa com o diretor, o que esperar de diferente numa disputa como o Big Brother? Estão aí William Bonner e Fátima Bernardes, Fabiana Scaranzi e William Waack, Sandra Anemberg e Ernesto Paglia, Patrícia Poeta e o diretor da Globo em Nova Iorque (cujo nome não sei), além de um sem número de atrizes que protagonizam novela das oito assim que casam com o diretor, cantoras que têm música incluída na trilha sonora porque namoram com executivo da emissora etc.

É sempre assim. Muita gente assistindo e muita gente reclamando da futilidade da coisa. Não que seja uma experiência sociológica de grande peso ficar assistindo uma turma de marombados e dançarinas de trance tomando um porre, mas no final das contas aquilo é a miniatura do mundo externo mesmo, um microcosmo do que vemos no dia-a-dia. Não, claro, no quesito beleza física, até porque menos de 1% das mulheres brasileiras têm atributos pra simular sexo oral com uma garrafona de leite derramante nas páginas da Sexy. Mas convenhamos, aquela conversa unânime de "afinidade" e "vou votar na pessoa que não virou minha amiga" é didática, a gente é que não percebe uma coisa importante dessas bem à nossa frente porque precisa ajudar o filho a fazer o dever de casa ou bobagem do gênero.

A ausência de barrigudinhos, gays, feiosos e pobretonas na  casa é coisa da audiência também. Sempre ecoando a preferência da clientela, a emissora parece ter percebido que justiça social mesmo não é botar um coitado no meio das feras siliconadas, mas enjular as feras siliconadas, somente elas e todas juntas, e assisti-las devorando-se entre si. A audiência brasileira não está preparada pra jogos ou gincanas que envolvam facetas e nuances humanas, estratégia e inteligência – no sentido sociológico da palavra. Não se houver um pobre, um analfabeto, um gay simpático, uma cabeleireira endividada. Brasileiro torceria para a Argentina numa final de Copa contra o Brasil se os argentinos fizessem um clipe dramático sobre sua infância pobre e o exibissem na tevê brasileira antes da partida.

Embeber em álcool belos jovens com hormônios demais e miolos de menos parece coisa de filme futurista da década de 80, onde víamos robôs ciborgues usando cérebros humanos pra fazer geléia pra ET – no distante ano de 2003.

De certo modo chegamos ao futuro. Numa versão abrasileirada do programa de domingo dos romanos, descobrimos que, em vez de assistir leões devorando cristãos e gladiadores trucidando-se entre si, preferimos nos divertir com o vazio absoluto, descartável mesmo, de uma dúzia de dancarinos de trance e ex-modelos da Sexy se devorando entre si.

E vamos combinar, é reality show mesmo. Amigo do filho do diretor, ex-dançarina de palco do Gugu e modelo da Sexy mostram bem como é que funcionam as coisas neste país. Ou vai me dizer que você acha bonito que haja peixada até em sorteio de Big Brother!

Só falta agora você dizer que acredita na Mega-Sena…

Pra resolver todos os problemas que não temos

Sexta-feira, Janeiro 12th, 2007

Steve Jobs deu uma tossida, e o mundo mais uma vez presta atenção.

iPhone, da Apple.

É iPod, é Telefone, é Câmera, acessa a web integralmente, tem bluetooth, tem wi-fi, é GSM e tem Edge.

Tem Tela de 3,5".

Tem 4 ou 8Gb de capacidade.

E já rende piadinhas: dizem que a Apple se inpirou em Daniela Cicarelli e vai lançar uma versão mais cara – beeeem mais cara – chamada iPhod.

O Pedro Doria avalia melhor o brinquedo aqui.

São Paulo vai ficar mais alegre do que já é

Quinta-feira, Janeiro 11th, 2007

Temporil da Puta que Paral caindo em Manaus há uma semana.

Uma homenagem justíssima ao melhor amigo que nunca vi pessoalmente (além de incansável ocupante do honroso posto de único comentarista que tenho), um doce de pessoa chamado Osimar Medeiros. Quer sentir a doçura? Visite o Sangre de Grado. Vai por mim.

Chavez, o jegue expiatório

Quinta-feira, Janeiro 11th, 2007

Está muito esquisita essa história de demonizar Hugo Chavez por suas peripécias esquerdo-latino-primitivas, como se o povo venezuelano fosse um adereço da história e não protagonizasse os seguidos referendos, consultas e eleições que vêm elegendo o presidente repetidamente. Ainda que se entendam que, como no caso dos super-salários dos suplentes de deputados, as presepadas de Chavez sejam filé mignon para a imprensa, é esquisito ver, novamente, o tom de revolta irônica dos editoriais e colunas.

As eleições venezuelanas são monitoradas por observadores internacionais, salvo engano, liderados pelo ex-presidente americano Jimmy Carter. É verdade que Chavez andou anunciando que pretende, sim, apresentar projeto de reeleição permanente ao Congresso. É certo que já disse que vai roubar empresas alheias – o que esquerdistas gostam de chamar de “nacionalização”. Mas, por enquanto, vamos parodiar. Sei lá, imaginar cartilhas superfaturadas do trio Huguinho, Evinho e Luisinho, a pregar a revolução dos pobres, dos analfabetos e dos sem-terra.

Chavez é resultado, não origem. É efeito, não causa. Veio ao mundo para mostrar que, quando uma nação se deixa enganar por déspotas e populistas de esquerda (com o perdão do pleonasmo), só lhe resta conviver com o atraso institucional, a falta de crédito no mundo e miseráveis, famintos e felizes.

É injusto que Hugo Chavez seja responsabilizado pelo buraco em que se enfia seu país, mesmo que sob sua boina e sua espada cafona. Como é injusto julgar as ações de um deputado federal eleito, mesmo que seja um ex-traficante que espanca mulher no meio da rua. Seria ele mais culpado do que seus eleitores?

Analisemos por eliminação, como na matemática do primário: se há poderes constituídos, se existe uma Constituição, se são realizadas eleições, se a apuração é transparente e se não há ditadura, o problema só pode ser um: o povo.

Sem medo de errar.

Democracia é assim. Vence quem consegue o voto da estúpida maioria.

Pra meio entendedor duas palavras bastam.

Sai a justiça social, entra a ditadura da estética

Quarta-feira, Janeiro 10th, 2007

Chegou a hora dessa gente bronzeada, marombada e siliconada mostrar seu valor. Na estréia do “Big Brother Brasil 7″ ontem na Globo, a galera do “uhu!”, do “irado” e do “caraca” provou que está pronta para dominar o programa.

O “BBB 7″ começou com algumas novidades pontuais. Logo no início o candidato Fernando Orozco foi eliminado por ser amigo de um diretor da Globo (que tentou demonstrar, de forma um tanto tardia, uma idoneidade que vem sendo constantemente questionada). No final, Pedro Bial anunciou que dois candidatos – e não apenas um – serão eliminados na próxima semana.

Mas só houve uma mudança realmente fundamental no “BBB 7” em relação às três últimas edições: não há mais sorteio de participantes. Na prática, isso significa que os candidatos pobres, gordos ou feios foram eliminados a priori, em um processo de eugenia televisiva.

Boninho, diretor do programa, explicou a decisão em entrevistas: o objetivo do “Big Brother” é entreter, não fazer justiça social (e, assim, com uma medida provisória, o Brasil perde uma de suas modalides de inclusão social a conta-gotas).

(mais…)

Violação de Privacidade ou Atentado ao Pudor?

Terça-feira, Janeiro 9th, 2007

Ricardo Noblat informa, via G1, que o desembargador que havia tirado o YouTube do ar voltou atrás. Agora liberou novamente, mas ordenando que se proíba a disponibilização do vídeo pornô light de Daniela Cicarelli, no qual dizem (não assisti) que seu namorado, o desempregado Tato Malzoni, lhe aplicava um tubo daqueles. À massa de 6 milhões de desentubados que ficou sem acesso aos vídeos do site, resta saber que, se o casal flagrado na Espanha fosse o da imagem de baixo, visivelmente desprovido de heranças paternas ou pensões de ex-marido milionário, o cacete – upa! – tinha baixado no cocuruto dos dois. Não que fazer um sexozinho dentro da caixa d'água, num sabadão de sol, não tenha seu valor, mas há ninhos de amor melhores, admita-se.

Noblat comenta, cheio de razão, que se houve realmente violação, não foi de privacidade. Tutty Vasques comenta que, com a interdição (censura, vai) do site, milhões de brasileiros ficaram sem ter o que fazer no trabalho. Eu comento que, comparado à cobertura cansativa da eleição para Presidente da Gangue, digo, Câmara Federal, feito há dias por Noblat e sua equipe, o assunto Cicarelli até que entra – ôpa – melhor. Até porque com essa gama de opções (eleição na Câmara e Daniela fazendo sexo em público) é sempre bom ficar com a opção em que a gente curte um sexozinho apaixonado, sem precisar fazer parte da cena.

No caso do embate Aldo x Chinaglia pela presidência do Parlamento, é o que aconteceria com a gente. E o que é pior, na passiva. Pense bem.

Cena de enlatado americano

Terça-feira, Janeiro 9th, 2007

Estevam e Sônia Fernandes, fundadores da organização criminosa Igreja Apostólica Renascer em Cristo, foram presos. Segura o rojão, leitor, não se apresse a comemorar progressos na justiça brasileira. O casal de patifes foi preso pelo FBI em Miami.

É que lá, nos States, roubar é crime e dá cadeia. E a cadeia de lá, convém esclarecer para que não haja mal-entendidos, consiste num cômodo de dimensões modestas, geralmente ladeado por outros cômodos idênticos e arrumados numa edificação que convencionou-se chamar de presídio, todos cercados por paredes de concreto e barras de ferro, que são comumente trancadas com ferrolhos e cadeados, o que impossibilita a saída expontânea de seus hóspedes.

A dupla dinâmica, que vinha transitando toda serelepe pelo Bananão apesar das acusações de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato, tentou entrar num país de verdade com 56 mil dólares, depois de declarar apenas 10 mil à alfândega.

A organização criminosa, nascida em 1986 da combinação da miséria intelectual, espiritual e material da maioria da população do maior país católico do mundo, tem 1.500 bocas espalhadas pelo país, onde são afanados milhões de reais que, agora resta comprovado, eram usados para pagar as contas da dupla.

Não é a bandidagem dos países que é diferente. Bandido é bandido em todo lugar – e eles estão em todo lugar. A diferença não está no bandido, está na Justiça.

Muito legal

Sexta-feira, Dezembro 1st, 2006

Torre Eiffel, pela Polaroid de Cássio Vasconcelos

Desde 1997, o fotógrafo paulistano Cássio Vasconcellos registra paisagens noturnas de grandes cidades com uma antiga máquina Polaroid SX-70. O projeto começou em São Paulo, mas depois se estendeu a outras metrópoles mundiais, como Dallas, Paris, Nova York e Tóquio. "A cor obtida no processo da Polaroid confere às fotos um resultado peculiar em resolução e textura, justamente o que me fascina", diz Vasconcellos. As fotografias da série estão reunidas na exposição "Noturnos", na galeria Lurixs Arte Contemporânea (R. Paula Barreto, 77, tel. 21/2541-4935), Rio de Janeiro, de 4 de dezembro a 20 de janeiro. Dez delas podem ser conferidas neste Ensaio. Do NoMínimo.

Vou comprar uma Polaroid. E você, mais geograficamente privilegiado, aproveite.

Real Time

Terça-feira, Novembro 21st, 2006

Portal UOL

Portal G1 (Globo)

Portal Terra

Portal Amazônia

 

Que gracinha…

Terça-feira, Outubro 17th, 2006

Globo

Toda a parte espírita do primeiro capítulo foi de uma cafonice constrangedora, em especial a cena da morte do irmão de Marcos (já o pedaço mundano da novela, com sua boa reconstituição da São Paulo dos anos 50, foi mais saboroso). Outro problema foi a presença de Thiago Fragoso, não pelos seus dotes interpretativos, mas por seu tipo físico querubínico – que não oferece nenhum contraste ao de Paola. Parece que estamos vendo uma versão espírita de “A lagoa azul”. Na última cena de ontem, Marcos teve uma de suas premonições: ele descobriu que Sônia, o personagem de Paola, é a mulher de sua vida. Dele e da torcida do Flamengo. Assim é fácil ser profeta.

Ricardo Calil fala porque Paola Oliveira virou protagonista em sua segunda novela.

E eu que achei que ela tivesse casado com o Ricardo Wadington, o Denis Carvalho ou o Marcos Paulo…

A Caixa Preta da Folha

Quarta-feira, Outubro 11th, 2006

Da Folha de S.Paulo, hoje – "A família de Geraldo Alckmin usou um helicóptero do governo de São Paulo para levar um cachorro de estimação em passeio até Campos do Jordão, residência de descanso oficial do governo. A revelação foi feita à Folha em abril por dona Renéa, mulher do governador Cláudio Lembo (PFL-SP) e primeira-dama do Estado. Ela mostrava à colunista as dependências internas do Palácio dos Bandeirantes para um perfil que seria feito sobre o governador. Ao passar pelo canil do Palácio, dona Renéa lembrou de Tito, o pitbull da família Alckmin. E relatou a vez em que viajou com o pitbull no helicóptero do governo. "Fui com ela [a ex-primeira-dama Lu Alckmin, mulher do candidato à Presidência] para Campos do Jordão. O pitbull foi junto. Ele botava o rabo no meu colo. Dava um medo…", disse a atual primeira-dama. A informação nunca foi desmentida por Lu."

Via Ricardo Noblat.

Acusada, com justiça, de ter perdido o pouco da vergonha de ser tucana e se apequenado, a "grande mídia" brasileira tenta disfarçar, publicando denúncias-bomba como esta. Não tanto para que chegasse aos níveis abissais amazonenses, lógico, mas já ficou feio. Pra falar a verdade, fica difícil definir o que é pior: o "Padre Vendido de A Crítica" ou "O Pitbull Folgado de Dona Lu". Na dúvida, melhor apenas se divertir.

Detalhe 1: A última frase da longa reportagem de Veja sobre Alckmin é algo sinistra. Ao relatar o brinde com água que foi feito no apartamento do tucano em comemoração à passagem ao segundo turno, a revistona saiu-se assim: "Alckmin é mesmo bem diferente de Lula". Menos, Veja, menos. Seria mais honesto dizer "Alckmin é bem diferente de todo o universo", dada a situação do exemplo.

Detalhe 2: Hoje, parado no semáforo em frente ao Canamari, ouço um jornaleiro cantarolar, debochado: (no ritmo de Ilariê) – Tá na hora, tá na hora! Tá na hora de comprar! Compre o Correio, leve A Crítica…"

Detalhe 3: Na foto, Spotty (deve ser isso), o cachorro cara-de-pau do Bush, recebe continências no desembarque do helicóptero presidencial. Surpreendido com a divulgação da imagem aterradora, o presidente diz-se surpreso, mas já acionou a Polícia Federal para investigar o caso. Falo do Bush, claro.

Quêde as denúncias?!

Terça-feira, Outubro 3rd, 2006

Por curiosidade mórbida andei folheando os jornais, e me deparei com algo muito estranho. Os destaques de primeira página do jornal mais eticamente aguerrido da cidade são o caso de um bebê raptado e o resgate de Gilcley Oliveira, o rapaz que viajava a Brasília para pedir a mão da namorada em casamento, e que morreu no trágico vôo 1907 da Gol.

Não que a cobertura do maior acidente aéreo da história brasileira tenha pouca importância ou que o rapto de uma criança não mereça comoção da sociedade, mas senti falta da busca frenética pela honestidade na política, pela ética nos cargos públicos. Procurei, procurei, e a única referência que vi ao governador reeleito (agora subitamente sem qualquer “prepotente” ou “marcado por escândalos” acompanhando seu nome) foi uma reportagem técnica sobre sua margem de votos sobre Amazonino, conquistada no interior do estado.

Não havia absolutamente nada do ímpeto e da garra contra a corrupção que vi nos últimos dois meses. Foi como se, confirmada a reeleição de Eduardo, seu governo de desmandos e crimes absurdos tivesse se tornado tolerável, exatamente como era antes do período eleitoral.

O encanto passou. Ou o feitiço, vá saber. As nuvens negras sumiram, voltamos aos secos e molhados das notícias do dia-a-dia. Dirão os mais ingênuos que essas redações resistiram e venceram a tentação de ir para o lado negro da força, como no filme de ficção. Eu não me engano, não nisso.

Imprensa de fachada funciona assim, fazendo o feijão-com-arroz preguiçoso da entressafra, preparando-se e guardando forças para as épocas eleitorais. É só em tempos de guerra que esses armazéns deficitários recebem injeções de investimentos e são convertidos em fábricas de munição, de pólvora, de tanques e bombardeiros. Assim estes órgãos mostram pro que realmente foram feitos – ou em alguns casos no que realmente se tornaram.

Algumas das perguntas mais simplórias escondem – ou revelam – o que realmente importa.

“A feroz luta pela ética acabou no domingo?” é uma, por exemplo.

 

O Estado do Amazonas, 4 de outubro de 2006

Muito melhor que Paulo Betti

Sábado, Setembro 30th, 2006

Escatologia pura, sem mistura
Por Fran Pacheco

Não tem como escapar, simpatia. Muito menos fugir do desagradável e mal-cheiroso assunto. Com todo mundo é assim, acontece periodicamente (ou não, se o sistema não estiver funcionando bem). Há quem adore (tem doido pra tudo), mas também há quem abomine e até sinta vergonha. Mas tem como escapar não, ô artista. Até mesmo o homem mais rico do Brasil ou a top-model mais glamourosa têm que fazer. Portanto, relaxa, madama. Resista ao compreensível embaraço e curta cada movimento desta sinfonia fisiológica.

De quando em quando, portanto, vossa senhoria é afetada por aquela necessidade básica, vindo de dentro, e se sente compelida a procurar o lugar adequado para tomar as providências cabíveis. Em sociedades primitivas a coisa se fazia a céu aberto, em público mesmo. Até que tomamos vergonha na cara e passamos a fazer às escondidas, como convém, num recinto adrede construído para esse fim. O negócio então é chegar com a fleugma de que não quer nada e perguntar (discretamente) onde fica o tal lugar. Alguém treinado para isso provavelmente lhe dirá (discretamente), “terceira portinha à esquerda, lá no fundo do corredor”.

Finalmente sozinho, apartado do burburinho lá de fora, você pode respirar fundo, enxugar o suor frio da testa, perder a vegonha de si próprio e mandar ver. Há quem afirme não ser necessário tapar o nariz (seríamos imunes à nossa própria porcaria).

Consumatum est? Então pode olhar, ainda que de soslaio, para examinar a aparência da coisa. Há quem se detenha longamente, contemplando admirado. Freud explica. Melhor é simplesmente apertar a tecla CONFIRMA e dar o fora o quanto antes. Viu como votar nesses políticos que estão aí não é nenhum bicho de sete cabeças? E não caia na generalização barata de dizer que é tudo a mesma merda. Com a prática, você perceberá as diferenças. Mas só com a prática, porque no momento, meu chapa, nem de merda o brasileiro entende.

Vou publicar às vésperas de todas as eleições, ad eternum (é isso?), esta antológica análise de Fran Pacheco .

Uma idéia geniálica!

Sexta-feira, Setembro 29th, 2006

Você já tá sabendo que vai ter que digitar 24 números na urna eletrônica no domingo, não é?

tin-nin-nin-nin-nin-nin! [balançando a cabeça afirmativamente]

Você também já sabe que pode encontrar um Bosco Saraiva ou um Ari Moutinho, cheios da grana, perto da sua zona eleitoral, não é?

tin-nin-nin-nin-nin-nin! [balançando a cabeça afirmativamente]

E é claro que você ainda não decorou o número dos seus candidatos, e provavelmente vai decidir isso na fila da votação, né, Zé Mané?

tin-nin-nin-nin-nin-nin! [balançando a cabeça afirmativamente]

Seus problemas acabaram!

tin-nin-nin-nin-nin-nin! [balançando a cabeça afirmativamente e fazendo sinal de positivo com o polegar]

Chegou o Santinho-Cola Genereitor Tabajara!

 

Créditos justíssimos para o site Manaus On-Line.

E é pra Manausiu!!!

O partido dos gênios

Sexta-feira, Setembro 29th, 2006


Como boa parte do país, eu estava dando pouca bola pra essa história de "de onde saiu o dinheiro?". Estou certo de que Paulo Okamoto, tivesse seus sigilos quebrados, seria muito mais nocivo a Lula do que isto. Mas já que fiquei sabendo que o PT entrou na Justiça para impedir que as imagens do dinheiro do dossiê sejam publicadas por qualquer meio, eu as publico também.

Democracia democrática

Sexta-feira, Setembro 29th, 2006
"O projeto de poder e a crença de que os fins justificam os meios explicam a cadeira vazia de Lula. Num país em que voto é obrigatório, candidato comparecer a debate também deveria ser."
 
Carla Rodrigues cunha a frase do dia, em análise sobre a ausência de Lula – e de FHC em 98 – ao debate da Globo.
 
Mas o texto completo é ótimo também. Clique aqui

Noblat escolheu Cristovam

Quarta-feira, Setembro 27th, 2006

Para suceder Lula, o blog apóia a candidatura de Cristovam Buarque do PDT. Engenheiro e economista, Cristovam dedicou-se nos últimos 12 anos a fazer política. Aos 62 anos, o candidato do PDT foi governador de Brasília, senador e ministro da Educação. Antes havia sido Reitor da Universidade de Brasília. Entre as idéias que teve e que realizou como governador, duas se destacam: o respeito à faixa de pedestre, estilo de convivência pacífica entre carro e habitante que entre nós só existe em Brasília; e o Bolsa-Escola, programa de resgate da população pobre por meio da educação. O programa já foi adotado por mais de 20 países.

Apesar de aparecer nas pesquisas com apenas 2% das intenções de voto, Cristovam conseguiu a proeza de pôr a Educação na agenda das eleições deste ano. Depois que ele começou a falar sobre o assunto de forma obsessiva, a Educação passou a ser apontada como uma das prioridades nos programas de governo dos demais candidatos. Cristovam tem um perfil político que o diferencia da maioria conservadora à direita e à esquerda que domina o Congresso. Também pesou na escolha feita por este blog o fato de o PDT do senador ser um dos poucos partidos que não se envolveram nos escândalos do governo Lula – mensalão, sanguessugas, vampiros, compra de dossiês, etc…

Ricardo Noblat é um dos jornalistas mais respeitados do país.

De mãos dadas mesmo

Sábado, Setembro 23rd, 2006

Supermercado Roma, Campos Elíseos, noite de sábado.

Vendedor de A Crítica, digo, do Correio Amazonense, digo, de A Crítica, folheia o jornal Correio Amazonense, enquanto não surgem compradores para A Crítica, digo, o Correio, digo, A Crítica.