Arquivos da Categoria'Política'

O Anti-herói publicitário

Terça-feira, Janeiro 23rd, 2007
Não que o mundo Matrix seja exclusividade do Amazonas, mas convém analisar, ou tentar analisar, os últimos perrengues ocorridos na cena politiqueira manauense. Sim, este mundo Matrix, onde o que vemos parece coisa de programadores de computador, às vezes ameaça ruir, como se tomássemos, mais num descuido das máquinas do que por vontade própria, a pílula que nos abre os olhos para a verdade.

No filme dos irmãos Wachowski as máquinas dominavam o mundo e iludiam os humanos remanescentes com um cenário lúdico e pacífico, de ordem e cotidiano, enquanto nos subterrâneos do planeta, por trás da bela interface, um mundo em cinzas era dominado por andróides que usavam humanos como combustível para sua subsistência.

Durango Duarte, publicitário e empresário, tomou de Laurence Fishburne o papel de Morpheus e ameaçou, menos dado a rompantes revolucionários do que o personagem do filme, contar tudo o que sabe, botando abaixo a cidade de Manaus e destruindo a bela paisagem criada pelos computadores patrocinados pelos poderosos. Mas nosso Morpheus ficou na ameaça velada, assim meio como se tivesse deixado escapar que tinha a chave para o fim do império da mentira. E se calou.

Tudo bem, não vivemos no cinema. Nossos Morpheus e Neos não têm a missão de salvar o mundo. Querem apenas segurar seu osso, manter sua renda, preservar sua propriedade particular. Ao menor sinal de sacanagem das máquinas (e só assim) nossos heróis se armam e ameaçam pôr tudo abaixo.

Tudo bem, não vivemos no cinema.

As máquinas, comandadas pelo prefeito neste episódio da trilogia, ameaçaram destruir a ordem vigente, derrubar o paraíso baré, de moralidade e de civilidade. Poderiam tê-lo feito, não fossem os brios de nosso Morpheus publicitário.
 
Por ora, nos resta imaginar um mundo cinzento, uma terra arrasada, cheia de dor e de destruição. Por ora, nos resta agradecer pela manutenção do paraíso.

A máquina cedeu às ameaças heróicas de Morpheus.

Tomar a pílula da mentira é mais confortável.

Que bom que não vivemos no cinema.

 
O Estado do Amazonas, 24 de janeiro de 2007 

Maçaneta do carro de Sabino acerta Silas Câmara

Quinta-feira, Janeiro 18th, 2007

É justificável que a imprensa amazonense chame de nebulosa a operação que transferiu Sabino Castelo Branco do PFL de Amazonino Mendes para o PTB de Roberto Jéferson. E, como se já não bastasse o absurdo de assistir um político brasileiro trocar de partido, a população ainda precisou ver Sabino tomar de Silas Câmara a presidência do partido no Amazonas.

É perfeitamente aceitável que todo cidadão amazonense fique de queixo caído com transações e acertos políticos obscuros. Reelegemos um governador que distribui adesivos com “Eu amo Eduardo!” e é ladeado por patifes de toda espécie. Temos uma assembléia presidida por um nepotista já flagrado pela Polícia Federal acertando favores imorais com o vice-governador. Este mesmo deputado disputa o cargo com outro deputado, este gravado cometendo crime eleitoral e confessando desvio de dinheiro público. Elegemos um senador da República que, dizem as provas, cometeu crime eleitoral, depois de levar incompetência e falta de transparência da Prefeitura de Manaus para o Ministério dos Transportes.

Com um quadro político destes, é perfeitamente plausível que Sabino Castelo Branco tome de assalto – no sentido figurado, leia-se – o partido do Homem-Bomba Roberto Jefferson, receptor confesso de dinheiro ilegal para campanhas políticas. Como é também natural que Vera Lúcia Castelo Branco, recém-saída do pesadelo StephenKinguiano de tomar socos e gravatas de um carro e recém-eleita deputada estadual assuma a diretoria do partido de Getúlio Vargas.

Analistas políticos se apressam em tentar matar a charada e entender o movimento estratégico das peças políticas, como se de política tratasse tal tipo de negociata. Roberto Jefferson, que já admitiu viver nos “intestinos do poder” há décadas, diz que precisa de um homem forte no partido local. Vera Lúcia se apressou em responder: se o problema é homem forte, Sabino é o cara.

Roberto Jefferson tem razão. Com ele, Silas, Sabino e Vera Lúcia, esse partido só pode mesmo ser coisa que sai dos intestinos.

O Estado do Amazonas, 19 de janeiro de 2007

Chavez, o jegue expiatório

Quinta-feira, Janeiro 11th, 2007

Está muito esquisita essa história de demonizar Hugo Chavez por suas peripécias esquerdo-latino-primitivas, como se o povo venezuelano fosse um adereço da história e não protagonizasse os seguidos referendos, consultas e eleições que vêm elegendo o presidente repetidamente. Ainda que se entendam que, como no caso dos super-salários dos suplentes de deputados, as presepadas de Chavez sejam filé mignon para a imprensa, é esquisito ver, novamente, o tom de revolta irônica dos editoriais e colunas.

As eleições venezuelanas são monitoradas por observadores internacionais, salvo engano, liderados pelo ex-presidente americano Jimmy Carter. É verdade que Chavez andou anunciando que pretende, sim, apresentar projeto de reeleição permanente ao Congresso. É certo que já disse que vai roubar empresas alheias – o que esquerdistas gostam de chamar de “nacionalização”. Mas, por enquanto, vamos parodiar. Sei lá, imaginar cartilhas superfaturadas do trio Huguinho, Evinho e Luisinho, a pregar a revolução dos pobres, dos analfabetos e dos sem-terra.

Chavez é resultado, não origem. É efeito, não causa. Veio ao mundo para mostrar que, quando uma nação se deixa enganar por déspotas e populistas de esquerda (com o perdão do pleonasmo), só lhe resta conviver com o atraso institucional, a falta de crédito no mundo e miseráveis, famintos e felizes.

É injusto que Hugo Chavez seja responsabilizado pelo buraco em que se enfia seu país, mesmo que sob sua boina e sua espada cafona. Como é injusto julgar as ações de um deputado federal eleito, mesmo que seja um ex-traficante que espanca mulher no meio da rua. Seria ele mais culpado do que seus eleitores?

Analisemos por eliminação, como na matemática do primário: se há poderes constituídos, se existe uma Constituição, se são realizadas eleições, se a apuração é transparente e se não há ditadura, o problema só pode ser um: o povo.

Sem medo de errar.

Democracia é assim. Vence quem consegue o voto da estúpida maioria.

Pra meio entendedor duas palavras bastam.

The number of the beast

Terça-feira, Janeiro 9th, 2007

Pra não dizerem que estou há três dias sem falar dele, ressuscito uma foto que fiz ainda no calor da última campanha eleitoral. Não a usei à época porque o foco estava ruim. A imagem, bem, vale mil palavras de baixo calão. Mas não chego ao ponto de chamar Belão de Diabo. Não, seria demais. Primeiro que o Diabo tem mais estilo. Depois não é negócio ser o cabeça das coisas. Belão não é, mas com certeza tem um filho, um sobrinho ou um irmão que trabalha pro Homem. Com certeza.

O Poder Inútil

Domingo, Janeiro 7th, 2007

A disputa entre os deputados Aldo Rebelo e Arlindo Chinaglia pela presidência da Câmara avança pelo noticiário de forma empolgante. Os dois jogam no mesmo time (o governo), portanto chutam para o mesmo lado, e estão discutindo basicamente quem é que vai dar o pontapé na bola. Ou seja: uma questão crucial para o Brasil – pelo menos aquele Brasil representado pelas esposas e familiares dos dois políticos, sem contar os amigos que sonham com alguma nomeação para a cúpula do Legislativo.

Aldo ou Arlindo? O dilema é a total, a definitiva consagração da irrelevância. Por que Aldo? Por que Arlindo? Ninguém saberá levantar um argumento sequer que demarque alguma diferença. Dizem que Aldo, do PC do B é alinhado com Lula e Arlindo, do PT, cumpre ordens do inesquecível José Dirceu. Essa distinção terá tanta importância para o país quanto a escalação do time do Guarani em 2007.

Aldo e Arlindo estão disputando, apenas e tão somente, quem será o capacho do presidente da República nos próximos dois anos. Dizem que o Congresso se desmoralizou com o mensalão, a absolvição dos mensaleiros, os sanguessugas e outros casos recentes de corrupção. Não é verdade.

O Legislativo não precisaria da corrupção para ter sua reputação desintegrada. Sempre se pode ressalvar que mensaleiros e sanguessugas são só a banda podre. O que desmoralizou o parlamento, de verdade, foi sua nulidade como poder da República.

Cobra-se do governo, de todos os lados, as reformas da Previdência, tributária, trabalhista etc. O governo cata alguns cacos de projetos, consegue aprovar alguns remendos constitucionais, diz que reformou, é festejado por um lado, apedrejado pelo outro, e ninguém se lembra do poder vizinho, aquele que tem uma cuia ao lado de um chapéu coco, e está lá, por uma milagrosa coincidência, exatamente com a finalidade de legislar: o legislativo.

Por que os presidentes da Câmara não movem uma palha para liderar as tão desejadas reformas? Por que não propõem uma pauta ao Brasil? Por que se limitam a carimbar o que o poder Executivo despeja sobre suas cabeças?

Ninguém sabe. Mas tudo bem, porque também ninguém pergunta. O Congresso é nacionalmente aceito hoje como uma geléia institucional. Cria leis, discute o orçamento, serve de tribuna para algumas vozes ilustres, cria as velhas dificuldades para vender novas facilidades – mas hoje, como um dos três poderes da República, é café com leite.

Depois de cooptado, vendido e mal pago pelo Executivo, a humilhação definitiva veio do Judiciário. O Supremo Tribunal Federal, presidido pelo deputado Nelson Jobim, deitou e rolou no processo de cassação de José Dirceu. Na invasão mais obscena de um poder por outro na história recente, o Supremo travou, postergou e fez o que quis com o julgamento político do ex-deputado do PT. Fuzilou a soberania do Congresso com rajadas de filigrana jurídica.

A cegueira sobre a importância do Legislativo é tal que toda a inteligência nacional foi se debruçar sobre o Código de Processo Penal e deu razão ao franco atirador Jobim. Com uma lógica dessas, Collor jamais teria tido seus direitos políticos cassados – provavelmente seria salvo por uma liminar como aquelas que derreteram a honra do Congresso no ano passado.

Aliás, o último presidente da Câmara com importância histórica foi justamente Ibsen Pinheiro, que liderou a cassação de Collor – e depois caiu em desgraça por conta de uma denúncia de enriquecimento duvidosa. Depois dele, Aécio Neves, em 2000, ainda tentou algumas medidas relevantes para a vida nacional, como o freio ao poder abusivo das medidas provisórias. É bom lembrar que, para isso, enfrentou o então presidente Fernando Henrique, de seu próprio partido. Mas foi só um espasmo.

Dizem que o único risco para a Câmara hoje é o aparecimento de um novo azarão tipo Severino Cavalcanti. Não faz muito sentido, porque as trampolinagens do rei do baixo clero têm sido repetidas tranqüilamente pelos éticos, como no apoio de Aldo Rebelo à duplicação dos salários dos deputados.

O único risco para a Câmara hoje é o contrário: não aparecer um azarão que a tire desse estado vegetativo. Há um movimento alternativo liderado por gente qualificada como Raul Jungman e Fernando Gabeira, com apoio até de petistas, como Walter Pinheiro, e de tucanos, como Fernando Henrique. Eles têm pautas para o país, têm personalidade, têm espírito público, têm idéias e uma característica essencial: têm horror à omissão e à sujeição.

A última esperança, portanto, é a aparição do “Severino” do bem. Quem será ele?

Por Guilherme Fiúza.

Confissão na cara-dura

Quinta-feira, Dezembro 7th, 2006

- O mais tolo aqui conserta relógio debaixo de água com luva de boxe. Somos um grupo seleto (…) Quem chega aqui, ralou, suou, disputou votos. Os bobos ficaram lá fora.

De Inocêncio Oliveira (PF-PE), primeiro-secretário e pré-candidato à Presidência da Câmara, sobre a diferença de quem é e quem não é deputado.

Via Ricardo Noblat.

Tudo, menos beijo na boca

Sexta-feira, Novembro 24th, 2006

Este espaço sempre se recusou terminantemente a tratar do rame-rame da política partidária. Não por preconceito, nem por princípio. Apenas pelo fato de que o assunto não interessa a ninguém. Pelo menos, ninguém que passe a um raio superior a cem metros dos gabinetes da ilha da fantasia. Quando o PMDB vai para as manchetes, portanto, uma certeza se impõe: o país está sem assunto. Se nem o baile funk dos controladores de vôo evita que o noticiário se concentre nas aventuras de Michel Temer, Renan Calheiros e Moreira Franco é porque a seca está braba.

Não há de ser nada. Já, já esse Política e Companhia voltará a ser mais Companhia do que Política. Aguardem, por exemplo, uma análise sociológica de botequim sobre o masoquismo do país do futebol, que resolveu interditar a emoção nos campos, com essa fórmula ridícula, falsamente virtuosa, de campeonato por pontos corridos. Nunca se viu compromisso tão sólido entre a cultura popular e o tédio. Mas isso fica para depois. Vamos fazer só uma última concessão ao PMDB, não pelo que a notícia de seu acordo com Lula tenha de relevante, mas de bizarro.

Todos os governos fazem um acordo do tipo vale tudo, menos beijo na boca, com o PMDB. É a prostituta da política nacional, e todos sabem disso. O fantástico é que o governo Lula – sempre inovando – resolveu tratar o partido como moça de família. Aí o noticiário ficou realmente muito divertido. Ou seja, aquela relação que todo mundo sabe que é de sexo pago e ponto final, veio ornamentada dessa vez com uma carta de princípios que constitui verdadeira pérola literária. Vamos às “condições” subscritas pelas duas partes para selar o matrimônio:

1) Reforma política
2) Reforma tributária
3) Medidas que garantam o crescimento do país no próximo ano em 5%
4) Consolidação de políticas de transferência de renda
5) Revisão do pacto federativo
6) Criação de um conselho com os partidos da coalização

São medidas de grande objetividade e ousadia. Mas, pelo que cada uma significa, poderiam ser substituídas pelas seguintes:

1) Reforma ortográfica da sopa de letrinhas partidária
2) Reforma da natureza (relator, Monteiro Lobato)
3) Medidas que garantam ao menos 5% de felicidade para todos
4) Consolidação do que aí está e criação do que está por vir
5) Revisão do pacto federativo com laranjas e pouco açúcar
6) Criação de uma coalizão com os partidos do conselho

E vamos em frente em direção a outro assunto, porque, com o PMDB, se passar de uma hora o programa fica mais caro.

Guilherme Fiúza. Ô cabra bom!

Ainda estou com Paulo Betti

Terça-feira, Novembro 21st, 2006

Como bom petista, Tarso Genro está, é claro, do lado do bem. E dos pobres. Agora que o núcleo duro está desfalcado de Marcos Valério, vai ser difícil arrecadar dinheiro sem ressuscitar a história comovente do povo trabalhador oprimido pela direita. Está de volta a Luta de Classes S.A.

Guilherme Fiúza. Leia mais aqui.

Minha vingança será maligna

Segunda-feira, Outubro 30th, 2006

Fui ao supermercado, ontem bem cedo, pagar meu carnê de crediário, esse acessório típico da elite. Dos 50 caixas, havia três abertos. Precisei procurar aquele rápido, com limite de 10 volumes, pois nos outros precisaria comprar algo pra poder fazer meu pagamento. Já na fila, dei aquela vistoriada nos carrinhos dos clientes. Todos com pelo menos 20 volumes cada um. Confesso, minha mente preconceituosa e burguesa pensou um bizarro “é, o Lula ganhou mesmo”.

Agora é esperar que o meu feitiço funcione. Lula até 2011, pausando os finais das frases nos discursos pra dar a deixa do aplauso. Agora é esperar. Esperar e, do meu carro popular financiado até 2011, imaginar os engarrafamentos de São Paulo, onde meus companheiros da elite, em seus burgueses Pálios e Fiestas, terão o desgosto de ver Ômegas importados, blindados, cortando as marginais com Delúbios e suas malas de dinheiro. Manaus é quente, muito quente, mas ainda não precisamos ver os Ômegas e as Land Rovers da classe trabalhadora proletária do PT a desfilar pela Eduardo Ribeiro. Menos mal.

Um recado à oposição: nada de impeachment. Isso é coisa de invejoso antidemocrata. Deixem o homem trabalhar, viajar bastante à África, à Venezuela. Deixem que Lula se ausente muito, para que os aloprados se apossem novamente do governo. Deixem, o feitiço está lançado, eu mesmo fiz. E nem precisei comprar asas de morcego da Transilvânia e dentes de serpente Mamba Negra da Nigéria. Bastou umas patas secas de Silvinho, uns cabelos do Dirceu em pó, fios grisalhos da barba do Delúbio desidratados e lascas da pele esticada da Marta Suplicy – o ingrediente mais difícil de conseguir, os seguranças da mansão da petista proletária quase não aceitaram meu suborno.

E a você, orgulhoso petista, um pedido. Não, uma exigência: sempre que você vir alguém com um carrinho cheio na fila do caixa rápido, engula a raiva. Você está desautorizado a reclamar de mentira e roubalheira.

Fique quietinho, pois “isso é sistemático nesse país”.

Reconhece a frase?

O Estado do Amazonas, 31 de outubro de 2006

Alckmin venceu. Ótimo, Lula está reeleito!

Sábado, Outubro 28th, 2006

Wilton Júnior/AE

O dado concreto e objetivo é que nunca na história desse país, sabe, houve um presidente tão incomodado com o formato de um debate. Não bastasse precisar debater com quem quer que seja, obrigaram – veja a petulância – o presidente operário a ficar de pé, respondendo a perguntas sobre, veja só, problemas do país. Lula não tinha no que pegar, não tinha uma legião de Newtons Cardosos e Jáders Barbalhos às suas costas pra puxar o aplauso da multidão. Na ausência de foco, um cão enjaulado parte pra cima do outro, e assim Lula, por várias vezes, quase tocou com o dedo o narigão do devoto São Francisco de Assis. Houve momentos em que tocou no braço de Alckmin, num gesto que, se no nordeste e aqui no Amazonas é sinal de calor humano e informalidade simpática, num debate nacional, frente a um candidato paulista, era no mínimo exagerado.

Alckmin ganhou o debate, do começo ao fim. Não digo isso com alegria, já que vou votar no Lula, como contei aí abaixo. Mas estou tranqüilo, sei que no Brasil essas coisas não influem, e vou dormir tranqüilo, sabendo que Lula será reeleito e que meu desejo (de que sua superexposição faça com que o Brasil se canse dele até 2010) será realizado. Mando recado, aliás, para Aécio e Serra: relaxem, Alckmin foi muito bem, vai perder. Alckmin se preparou melhor. Se comportou melhor, aceitando até os ataques mais diretos do presidente. Respondeu olhando pros eleitores, os chamou pelo nome. Lula mirava no opositor. Tecnicamente, a estratégia de Alckmin é mais correta. Dirigiu-se sempre formal e respeitosamente a todos, exortou a seriedade no trato de questões caras ao povo brasileiro e foi, pra usar um termo da moda, mais republicano, agiu mais como um presidente do que Lula. Também por isso vai perder, assim como o garoto mais estudioso e esforçado da turma da escola nunca consegue ser tão popular quanto o moleque travesso e esperto.

O formato do debate na Globo favorece as propostas e os programas, dando a maior parte de seu tempo a perguntas de eleitores, esses sim, preocupados com a escola dos filhos, o plano de saúde dos sogros, os impostos para abrir seu salão de beleza. Assim, os dois candidatos foram impedidos de pautar a discussão, que, do lado de Lula tenderia para a comparação entre seu governo e os 502 anos de governo dos tucanos, e do lado de Alckmin, tenderia para a repetição modorrenta de frases sem efeito como "tá errado", "vou fazer" e "o Brasil pode mais". Ganhou o eleitor, que pôde medir qual dos dois estava mais preparado para responder, não discursar. Nesse quesito Alckmin também venceu.

Mas a cereja do bolo de chuchu veio de bandeja, e da fonte mais improvável: o adversário. Cheio de ginga e deboche, Lula usou a frase errada para perguntar a Alckmin sobre a questão da segurança. "De onde vem o dinheiro para o que você diz que vai fazer na Segurança?" Alckmin, sem um sorriso, um tremor de músculo e sem o afobamento que certamente faria um zagueiro perder um gol debaixo das traves adversárias, foi cirúrgico: "Quando o candidato Lula disse 'de onde vem o dinheiro', eu pensei que ele ia dizer de onde veio o dinheiro do dossiê…" Este foi o primeiro momento, justa e corretamente escolhido pela platéia, de se manifestar, afinal, foi arrasador para o perguntador faceiro. Lula não conseguiu rebater. Nem tinha como.

Depois disso, como William Bonner deixasse perceber que não teria como controlar os convidados dos dois, o debate tornou-se mais barulhento. Desconfio, firmemente, que tenha sido Marta Suplicy a puxadora da torcida do PT. Mas já não havia mais tempo para nada, e mesmo que Lula tenha rebatido Alckmin com a história de que gente do PSDB está envolvida nas denúncias contra o assessor de Mercadante no caso do dossiê, Lula ainda estava atordoado, não conseguiu arquitetar uma boa resposta. Resta claro que o envolvimento de tucanos nas falsas denúncias contra o PT é tão grave quanto a compra do dossiê em si, mas o caso ainda é muito fresco, não havia tempo para ser explorado por Lula já hoje, no debate da Globo. Confesso que, em casa, imaginei os bares da cidade, mais civilizados do que em 2002. Foi gostoso vibrar, àquela época, com o baile que Lula deu em Serra, ver o petismo (até ali comumente confundido com o povo) indo aos céus com a vitória certa do operário. Hoje não. Hoje com certeza não havia mais aquela magia, aquela utopia terceiro-mundista do Salvador da Pátria. Hoje o rei estava nu. Foi o dado triste da noite. Triste, mas concreto e objetivo.

Considerações finais. Alckmin mais coeso, mais estudioso, mais aplicado, mais frio. Lula ainda nervoso, como ao longo de todo o debate, mas falando javanês, a língua do povo, a língua que só quem domina é ele e o povo. Falando javanês, Lula é imbatível. Num palanque, é insuperável. Mas num debate, cheio de homens de terno, seguranças (seus) e jornalistas – ou seja, cheio de elite – Lula não se cria. Andava curtamente prum lado e pro outro, num cacoete de palanque, mas não tinha retorno da platéia, burguezamente vacinada contra discursos populistas mais simplórios. Alckmin fechou melhor, Lula apelou para o chavão petista do “preconceito das elites contra os pobres”. Não colou. Tive a impressão, inclusive, de ter ouvido vaias ao final de suas considerações finais, interrompidas pelo estouro do tempo.

A falta de resposta, de ambos, a todas as perguntas dos eleitores selecionados pelo Ibope, mostrou outro dado concreto e objetivo: não há propostas sólidas de governo, de nenhuma parte. Alckmin repete seu discurso estéril e vago, Lula deixa claro que chegou à presidência para cumprir sua missão terrena, dar comida aos pobres. E assim vai seguindo o Brasil, entre a cruz e a caldeirinha, entre a certeza do populismo de Lula em detrimento do crescimento e o vazio programático e de carisma de Alckmin.

Alckmin venceu o debate, não há dúvida. Nem petistas discordam. Portou-se melhor, articulou melhor suas falas, não deixou passar nenhuma oportunidade de atacar Lula. Mesmo limitado por sua bondade ou falta de pimenta irritantes, nocauteou Lula. Não se intimidou com as quase-peitadas (físicas!) que recebeu, nem se atrapalhou com as ironias – que às vezes funcionam, às vezes não – de Lula. Foi o melhor do começo ao fim, estava mais à vontade, mais concentrado.

É por isso, exatamente por isso, que vai perder a eleição. Por ter tido a petulância de vencer Lula.

Agora é conferir as próximas pesquisas. Lula, depois dessa, deve estar na casa dos 70% de intenção de voto.

O dado concreto e objetivo é que, sabe, nunca na história desse país um presidente venceu uma eleição perdendo um debate tão bonito.

Parabéns, Lula. Você perdeu bonito.

Drogados ou só burros?

Sexta-feira, Outubro 20th, 2006

Como no Brasil nos tempos de Collor, o humor floresceu na Itália na era de Berlusconi, que terminou em maio passado. Um dos programas de TV que virou sucesso naquele período chama-se "Le iene" (as hienas) e se inspira no filme do Quentin Tarantino "Cães de aluguel": todos os jornalistas-humoristas de terno preto, camisa branca e óculos escuros, humor negro que não respeita ninguém, nem o dono da bola (e ex-dono do governo).

Depois da vitória do Prodi, finda a época de ouro das gafes berlusconianas, muitos tiveram medo de que esse país ficasse sem graça. Mas as "hienas" demonstraram, na semana passada, que o parlamento italiano vai manter pelo menos a tradição da política-espetáculo.

O programa foi censurado, porque fez uma reportagem entrevistando os parlamentares na frente do Palácio de Montecitorio, sede da Câmara dos Deputados. Enquanto eles falavam ao microfone, uma mocinha da produção fingia que enxugava o suor dos entrevistados. Só que não usava um lencinho nem um chumaço de algodão para a tarefa. O tampão era de Drug Wipe, um produto para detectar o uso recente de entorpecentes.

Falaram (e suaram) 50 deputados. Entre eles, 16 deram resultado positivo: 12 à maconha, 4 à cocaina.

Clique aqui e saiba que Vera Gonçalves, do Terra Magazine, descobriu mais coisas sobre os políticos italianos.

A divisão do Brasil

Segunda-feira, Outubro 16th, 2006

"A divisão brasileira mais relevante é a mental. O que se viu na leitura dos resultados do primeiro turno das eleições foi um espetáculo de simplismo. Está certo que votar é um gesto binário – mesmo que você desista de escolher – e que a experiência manda optar pelo “mal menor”, mas no calor das campanhas o tom é o bem contra o mal, de acordo com o ponto de vista de cada um, e não só entre os políticos. Para dizer o mínimo, isso não explica muitas coisas – e esconde muitas outras. Nem tudo cabe num mapa de duas cores."

Daniel Piza faz uma análise sóbria, clara e precisa – portanto rara – do que temos visto neste outubro, que promete, sim, ser vermelho.

Leia mais aqui.

Notas de segunda-feira

Segunda-feira, Outubro 2nd, 2006

Há quem diga nos corredores da Granja do Torto que a reação de Lula, ao saber que terá de se misturar à classe média (leia-se "a elite") no segundo turno teria sido bíblica: abrindo os braços resignadamente, o presidente teria olhado para o alto e dito: "Perdoai-os, Pai, porque eles não sabem o que fazem. Em nome do Pai, de Mim e do Espírito Santo".

Amazonino já estuda aceitar os conselhos de familiares e se internar numa clínica para recuperação de dependentes de jogos de azar, pessoas que não conseguem resistir e perdem milhões na jogatina. Seus herdeiros já temem que o Negão consiga dilapidar o patrimônio que tanto suou pra construir, em 24 anos salvando o Amazonas, em eleições sem futuro.

Que bom que Heloísa Helenda saiu da corrida presidencial. Eu já tinha cansado de ouví-la dizer que ensina aos filhos que roubar é errado e que combateu o Bom Combate.

Amazonino reclamando de abuso de poder econômico por parte de outro candidato. Confesso, achei que não fosse ver certas coisas antes de morrer.

Há informações ainda não confirmadas de que o comitê eleitoral de Amazonino estaria sendo depredado na tarde desta segunda. Tudo só porque os milhares de trabalhadores da campanha levaram um suposto calote do candidato. Injustiça. Desde o início da campanha Amazonino vinha avisando que não arrecadara absolutamente nada para se eleger governador. Ele avisou. Danou-se quem achou que Amazonino mente.

Vejamos se agora, com a fatura perdida, a verdade e o direito da população amazonense de saber das coisas continua com a mesma importância para a família Calderaro. Exijo, como leitor e cidadão, que durante os próximos quatro anos este jornal dê exatamente o mesmo destaque e peso às denúncias feitas contra Braga coincidentemente nos últimos dias de campanha. Exijo Caixas Pretas, dossiês, xingamentos e matérias especiais, com a mesma garra que esta gente demonstrou a favor do Bem nestes dias. Todo santo dia, ouviram? Uma linha a menos que isso, e estará provada a desonestidade do jornal A Crítica.

Sabino Castelo Branco vai pra Brasília, sua esposa, Vera Amélia Lúcia Castelo Branco, fica aqui. Mas Dona Vera que não se anime a sair quebrando novamente os carros do maridão por ciúme. Os seguranças do agora deputado federal já estão instruídos a engatar novamente a mãozinha dela na porta de um carro em movimento, ao menor sinal de rebeldia ou de vontade de ligar pro Chico Preto.

Técnicos do SINE avaliam que nos próximos dias as taxas de desemprego no Amazonas explodirão. Não que o volume de desocupados vá aumentar, mas sim o volume de desocupados sem salário, procurando emprego.

Lula concedeu entrevista coletiva à imprensa na tarde desta segunda-feira. Um inexplicável surto de humildade que está intrigando até Lucia Hippólito e Franklin Martins. Que coisa mais estranha…

Ari Moutinho e Francisco Balieiro não se elegeram nestas eleições. O povo amazonense vai sofrer sem seu trabalho. Mas não fiquem assim, camaradas. Além do dinheiro que já roubaram, em fraudes ou em aposentadorias estranhas do Tribunal de Justiça, podem se contentar com a expressiva votação que cada um conseguiu no Troféu Bodó na Lama, do Bessa Freire.

Muito melhor que Paulo Betti

Sábado, Setembro 30th, 2006

Escatologia pura, sem mistura
Por Fran Pacheco

Não tem como escapar, simpatia. Muito menos fugir do desagradável e mal-cheiroso assunto. Com todo mundo é assim, acontece periodicamente (ou não, se o sistema não estiver funcionando bem). Há quem adore (tem doido pra tudo), mas também há quem abomine e até sinta vergonha. Mas tem como escapar não, ô artista. Até mesmo o homem mais rico do Brasil ou a top-model mais glamourosa têm que fazer. Portanto, relaxa, madama. Resista ao compreensível embaraço e curta cada movimento desta sinfonia fisiológica.

De quando em quando, portanto, vossa senhoria é afetada por aquela necessidade básica, vindo de dentro, e se sente compelida a procurar o lugar adequado para tomar as providências cabíveis. Em sociedades primitivas a coisa se fazia a céu aberto, em público mesmo. Até que tomamos vergonha na cara e passamos a fazer às escondidas, como convém, num recinto adrede construído para esse fim. O negócio então é chegar com a fleugma de que não quer nada e perguntar (discretamente) onde fica o tal lugar. Alguém treinado para isso provavelmente lhe dirá (discretamente), “terceira portinha à esquerda, lá no fundo do corredor”.

Finalmente sozinho, apartado do burburinho lá de fora, você pode respirar fundo, enxugar o suor frio da testa, perder a vegonha de si próprio e mandar ver. Há quem afirme não ser necessário tapar o nariz (seríamos imunes à nossa própria porcaria).

Consumatum est? Então pode olhar, ainda que de soslaio, para examinar a aparência da coisa. Há quem se detenha longamente, contemplando admirado. Freud explica. Melhor é simplesmente apertar a tecla CONFIRMA e dar o fora o quanto antes. Viu como votar nesses políticos que estão aí não é nenhum bicho de sete cabeças? E não caia na generalização barata de dizer que é tudo a mesma merda. Com a prática, você perceberá as diferenças. Mas só com a prática, porque no momento, meu chapa, nem de merda o brasileiro entende.

Vou publicar às vésperas de todas as eleições, ad eternum (é isso?), esta antológica análise de Fran Pacheco .

O partido dos gênios

Sexta-feira, Setembro 29th, 2006


Como boa parte do país, eu estava dando pouca bola pra essa história de "de onde saiu o dinheiro?". Estou certo de que Paulo Okamoto, tivesse seus sigilos quebrados, seria muito mais nocivo a Lula do que isto. Mas já que fiquei sabendo que o PT entrou na Justiça para impedir que as imagens do dinheiro do dossiê sejam publicadas por qualquer meio, eu as publico também.

Déja-vù-vù-vù-vù…

Sexta-feira, Setembro 29th, 2006

Juca Queiroz / A Crítica

Ari Moutinho, indiciado. De novo. De novo. De novo.

 
Dia Coariense
 

O último dia de campanha eleitoral em Coari foi agitado. O Barulho foi infernal. Mais em dias de final de campeonato pode acontecer de tudo ou quase tudo. Carro barulhando, gente gritando, carreatas, disputas pessoais. Todos querendo conquistar o voto do eleitor de qualquer jeito. Do alto dos caminhões, no corpo a corpo, pelas ruas, de porta em porta. E quando todos achavam que já tinha terminado o dia e a velha paz de cidade do interior retornaria, surge a notícia (ou boato) que o Prefeito Adail Pinheiro, o vereador de Manaus e candidato a deputado federal Ari Moutinho e o atual vice-prefeito de Coari e candidato a estadual Rodrigo foram presos em Tefé com malas (sacas) de dinheiro, dinheiro vivo. Então a barulheira recomeçou.Provavelmente ainda ouviremos falar muito desse assunto esses dias por aqui pela terra do gás e do petróleo!

Do ótimo Coaripolis.

 

O autor do blog postou esta nota às 5:46 da manhã de hoje. Ainda ontem às 22h55, recebi a informação de que Ari Moutinho fora detido em Coari com 2 mil reais nos bolsos e sacolas de dinheiro a tiracolo. Hoje, nos jornais, mais "informações". Pra quem já esqueceu, Bosco Saraiva, que hoje permanece ao lado de Eduardo Braga, foi preso no dia das eleições em 2004 , com muito dinheiro no carro, fazendo boca de urna – comprando voto, em português claro. Bosco era candidato a vice de… Amazonino. Hoje o preso é Ari, mantenedor das condições higiênicas do ovo esquerdo de Braga. Bosco se ocupa do ovo direito. Pois veja só, as mesmas pessoas seguem sendo presas, não importa quais são as eleições. As mesmas pessoas, os mesmos crimes. Ari Moutinho, Bosco Saraiva, Sabino Castelo Branco, Eduardo Braga, Amazonino Mendes.

 
As mesmas pessoas. Amigos ou inimigos, as mesmas pessoas. 
 
O jornal A Crítica, num aparente lapso momentâneo de jornalismo, publicou o seguinte:
 

A Polícia Federal (PF) apreendeu no início da noite de ontem no aeroporto de Tefé (a 525 quilômetros de Manaus) uma remessa de R$ 220 mil que supostamente seriam usados para compra de votos em boca-de-urna no interior do Estado. O dinheiro estava nas bagagens do vereador e candidato a deputado federal Ari Moutinho (PMDB), do prefeito de Coari, Adail Pinheiro, e do vice-prefeito de Coari Rodrigo Alves da Costa (PP), candidato a deputado estadual.

Os três foram surpreendidos por agentes da PF quando se preparavam para embarcar para Manaus, em um vôo particular. Rodrigo Alves e Adail, que, segundo a Polícia Federal, carregavam a maior parte do dinheiro, foram conduzido ao posto da PF em Tefé para prestar esclarecimento da origem do dinheiro que carregavam. Ari Moutinho, que transportava R$ 2 mil nos bolsos, foi liberado ainda no aeroporto.

No posto policial, Rodrigo Alves assumiu a responsabilidade pelo dinheiro. Alegou que o valor seria usado para o pagamento de despesas de sua campanha política. Após prestar depoimento, ele foi liberado. Por orientação do procurador regional eleitoral, André Lasmar, o promotor George Pestana tomou o depoimento do vice-prefeito.

Ontem, o delegado eleitoral da PF, Wesley Aguiar, informou que hoje serão enviados a Tefé um delegado e um escrivão para formalizar a apreensão do dinheiro e a instauração de inquérito que irá investigar a procedência e o destino do dinheiro. Todos os envolvidos no caso, segundo o delegado, serão ouvidos e poderão ser indiciados.

O procurador eleitoral informou que aguarda a foirmalização do inquérito policial para dar entrada numa ação de investigação eleitoral até amanhã, que o prazo final para este tipo de medida. Segundo Lasmar, se for comprovado, abuso do poder econômico, tanto de Ari, quanto de Rodrigo, eles responderão a um processo semelhante ao que Moutinho responde pelo caso "Prodente". A pena para esse tipo de crime pode resultar na cassação do mandato, caso os candidatos sejam eleitos.

A PF não descarta a possibilidade de que o dinheiro apreendido seria usado na compra de votos. O delegado Wesley Aguiar informou que há fortes indícios de caixa dois, compra de votos e lavagem de dinheiro. Segundo o delegado, o montante estava separado em pacotes com cédulas de R$ 50, uma característica de dinheiro usado em compra de votos.

Rastreamento

O superintendente da Polícia Federal, no Amazonas, Kércio Pinto, disse que a PF vai rastrear o saque do dinheiro e que já tem informações que a quantia foi sacada em diversas agências bancárias de Manaus, entre elas Bradesco e Banco do Brasil.

A PF chegou ao dinheiro atendendo solicitação da juíza eleitoral de Tefé, Sabrina Ferreira. De acordo com o procurador André Lasmar, a juíza foi informada por uma denúncia anônima, feita ao cartório eleitoral do município, de que os três embarcariam para Manaus com uma grande quantidade de dinheiro.

A Polícia Federal (PF) apreendeu no início da noite de ontem no aeroporto de Tefé (a 525 quilômetros de Manaus) uma remessa de R$ 220 mil que supostamente seriam usados para compra de votos em boca-de-urna no interior do Estado. O dinheiro estava nas bagagens do vereador e candidato a deputado federal Ari Moutinho (PMDB), do prefeito de Coari, Adail Pinheiro, e do vice-prefeito de Coari Rodrigo Alves da Costa (PP), candidato a deputado estadual.

Noblat escolheu Cristovam

Quarta-feira, Setembro 27th, 2006

Para suceder Lula, o blog apóia a candidatura de Cristovam Buarque do PDT. Engenheiro e economista, Cristovam dedicou-se nos últimos 12 anos a fazer política. Aos 62 anos, o candidato do PDT foi governador de Brasília, senador e ministro da Educação. Antes havia sido Reitor da Universidade de Brasília. Entre as idéias que teve e que realizou como governador, duas se destacam: o respeito à faixa de pedestre, estilo de convivência pacífica entre carro e habitante que entre nós só existe em Brasília; e o Bolsa-Escola, programa de resgate da população pobre por meio da educação. O programa já foi adotado por mais de 20 países.

Apesar de aparecer nas pesquisas com apenas 2% das intenções de voto, Cristovam conseguiu a proeza de pôr a Educação na agenda das eleições deste ano. Depois que ele começou a falar sobre o assunto de forma obsessiva, a Educação passou a ser apontada como uma das prioridades nos programas de governo dos demais candidatos. Cristovam tem um perfil político que o diferencia da maioria conservadora à direita e à esquerda que domina o Congresso. Também pesou na escolha feita por este blog o fato de o PDT do senador ser um dos poucos partidos que não se envolveram nos escândalos do governo Lula – mensalão, sanguessugas, vampiros, compra de dossiês, etc…

Ricardo Noblat é um dos jornalistas mais respeitados do país.

Debate TV Amazonas

Quarta-feira, Setembro 27th, 2006

Resumo do debate, em cinco linhas:

Eduardo Braga: “Lamentavelmente” [ponha aqui qualquer coisa].

Amazonino Mendes: Eu quero pedir um direito de r… [microfone cortado]

Herbert Amazonas: É…bem…pois é… hein?

Paulo Di Carli: Você me deu grande oportunidade de falar do meu programa…

Artur: Síndrome de Argentina, caiu no grupo da morte, foi apagado.

Primeira, primordial e mais importante questão:

Por que, por que gente, submeter a gracinha da Mariana Godoy, em pleno 2006, ao que de mais retrógrado há na política amazonense?!

Depois:

Conselho de amigo: nunca, nunca mais vote nem em Eduardo Braga nem em Amazonino Mendes. É desnecessário discutir, basta ver, são a mesma coisa. A diferença é que a emenda saiu-se melhor que o soneto. Eduardo é mais frio, superou o mestre na arte de ser herói, painho, na arte da canastrice melodramática. Foi patética a bobalheira que acometeu Amazonino em suas considerações finais, pegando papelzinho com cola, remexendo lembretes sobre seus feitos. Gagueja, balbucia, não tem timing de resposta, estratégia de ataque e defesa (nunca fica com a última palavra). Eduardo é igualzinho – não poderia ser diferente –, mas sua verve putana ainda é jovem, seu nhém-nhém-nhém caricato-populista ainda é mais afiado. Ressalvadas essas pequeníssimas diferenças, são os dois a mesma coisa. Paladinos do atraso populista que impede o Amazonas de ser gente.

Amazonino tornou-se uma caricatura de si próprio, enervando-se com as regras do debate, abrindo braços indignado, suando, suando e suando. Amazonino perdeu o debate até para Herbert Amazonas, com seu discurso em preto-e-branco. Como Eduardo, ninguém sério acredita no que ele diz. Nem ele. Aliás, basta prestar atenção no olhar destes dois. Eles não acreditam no que eles mesmo dizem.

Paulo Di Carli, favorecido pela sorte nas mãozinhas de Mariana Godoy, sempre recebia de bandeja a bola, mas em nenhum momento ficou sem saber o que dizer. Aproveitou cada segundo que teve para mostrar que articula idéias muito bem. Ainda está meio verde, mas diante do museu caquético do velho discurso de Amazonino/Eduardo, sentiu-se à vontade. Fez a melhor saída, suas considerações finais foram irretocáveis. Com seu jingle grudento e sua calma diante do ridículo de seus adversários, pode chegar à reta final com bela votação.

Artur, que ganhara de lavada o debate da Rádio CBN, parecia estranhamente nervoso, um tanto desconcentrado. Foi prejudicado pelas mãozinhas de Mariana Godoy, mas ela está eternamente perdoada. Teve poucas oportunidades de confrontar as duas metades da laranja, Amazonino e Eduardo, que respiram aliviados hoje. Resumiu-se, sem opção, a levantar a bola pra Paulo Di Carli bater.

Herbert? Bem, Herbert mais uma vez tomou o precioso tempo do eleitor com sua baboseira esquerdista. Nada.

Enfim, pessoalmente vejo Paulo Di Carli como o vencedor entre os candidatos.

Mas quem venceu mesmo foi Mariana Godoy. Fala sério…

Todos os meninos do presidente

Terça-feira, Setembro 26th, 2006

Esses meninos aloprados que compram dossiês em nome do PT insistem em flutuar na órbita do presidente Lula. Ele não sabe mais o que fazer. Como uma mãe zelosa e ultrajada, repreende os meninos, mas não lhes nega colo.

Berzoini, esse danadinho, foi quem contratou os operadores do dossiê Vedoin – apontou Lula, com o dedo-duro em direção ao presidente do PT, declarando ao mesmo tempo que Berzoini não tem culpa. Não tem culpa, mas foi afastado da coordenação da campanha. Foi afastado, mas continua à frente do partido. Uma palmadinha, um afago, e a vida segue.

A virtude já foi assaltada por várias formas de vilania, mas nunca antes na história deste país a ética tinha sido vítima da distração.

Guilherme Fiúza, esse danadinho. Leia o texto completo no link.

Povo vai às ruas contra presidente. Na Hungria.

Quinta-feira, Setembro 21st, 2006

Na Hungria, tudo indica que o governo vai cair. E de forma em todo diferente do tailandês: é o povo que está nas ruas, em protestos que só se comparam ao levante contra a dominação soviética em 1956. As coisas não seguem pacíficas, há um bocado de violência, principalmente por conta da infiltração de ativistas jovens de extrema direita. O socialista Ferenc Gyurcsany era popular pelo estilo franco e direto em nada politicamente correto. Sempre disse as coisas que pensa na cara.

Num debate, quando seu opositor deu uma opinião que não lhe pareceu razoável, Gyurcsany fez cara de desinteresse e só comentou ‘blá, blá, blá’; sobre a Seleção da Arábia Saudita, disse que os jogadores eram todos terroristas e comprou briga diplomática com uma penca de países; deixou ongs enraivecidas quando disse que todo homem, quando vê a própria mulher envelhecendo, troca por outra mais jovem. Os eleitores gostavam. Tudo mudou quando, logo após ser reeleito, numa reunião fechada com gente de seu partido fez um apelo desesperado por ajuda na aprovação de reformas. ‘Nós mentimos de manhã, de tarde e de noite’, ele disse a respeito da economia do país. ‘Não fizemos nada nos últimos quatro anos. Nada. Fizemos merda e não foi pouca. Nenhum país na Europa foi tão estúpido quanto o nosso. Nós mentimos para a população no último ano e meio, dois.’ Foi gravado e alguém tornou a gravação pública.

Talvez dê para dizer que a população tem razão para cobrar-lhe a cabeça. A revista alemã Der Spiegel faz-lhe uma reportagem simpática. Diz que a encrenca financeira húngara não nasceu no atual governo mas vem sendo acumulada por gabinete após gabinete que não faz as reformas econômicas necessárias. Por enquanto, Gyurcsany segue no comando: diz que está fazendo seu trabalho. Franco no limite que pode custar-lhe o cargo. Acontece – é do jogo burocrático. Disse que mentiu ao eleitor para garantir a reeleição, o coitado que votou tem o direito de pedir que se retire.

Mas é coisa que cabe ao eleitor. Não aos homens de farda.

Pedro Doria.